terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Doces pesadelos.







Tão confuso cá estou em meus sentimentos.
Hoje parecia ser uma noite tão especial diferente de todas as outras. Reencontrei alguns amigos, poucos, mais ainda os tenho. Jantamos em minha casa, bebemos, rimos, falamos bobagens, sabe coisas que amigos fazem.
Hoje é uma daquelas noites magicas sabe? Aquela em que não me pego sozinho, andando de um lado ao outro, perdido em minha solidão e com aquela maldita pergunta martelando minha cabeça. Quem sou eu realmente? As pessoas me odeiam? O que eu fiz de mal para ser tratado com desdém e esquecimento?

A não! Hoje não, hoje foi diferente! Senti uma paz de espirito tão grande, estava feliz por certo, poder esquecer os problemas, minha vida, meus dilemas. Às vezes a tristeza bate mesmo depois que as pessoas se vão e você se pega novamente sozinho, aqui em sua casa, jogado e abandonado em seu próprio mundinho, onde as coisas sempre pareceram tão fáceis e alegres, mais que há algum tempo percebi que isso além de não ser saudável, estava começando a me privar da vida lá fora, com pessoas e coisas novas.

Estou esgotado de um dia cansativo, e talvez também tive a grande ajuda do vinho barato que tomamos, o qual sempre me deixa com um sono melhor e mais natural que as pílulas de lexotan que tomo quase todas as noites para tentar dormir. É, foi o vinho.
Fico em duvidas se entro em alguma rede social antes de dormir, mas para que? Apenas para ver que tenho mais de mil amigos, todos apenas conhecidos na verdade, o que confesso me deixa deprimido, ver tantas pessoas interessantes e divertidas, que com certeza seriam ótimos amigos. Mas, essas pessoas, todas elas já têm seus amigos e também conhecidos, e por certo medo ou falta de interesse acabo deixando isso de lado e apenas os deixo em paz. Afinal, estou cansado de criar expectativas nas pessoas e elas te decepcionam uma, duas, três.. quatro vezes.

Perdi a fé nas pessoas? Sim, posso afirmar que sim. Mas também não as odeio, não é culpa delas de me ignorarem, ou ignorarem você ou qualquer outro igual a nós. Existem dois tipos de pessoas, entenda isso de uma vez. As normais, e os “outros”. Não preciso nem dizer onde nos encaixamos nesses dois tipos.
Por fim, desisto de me dar ao trabalho de pegar o notebook e olhar alguma coisa, sei que não me acrescentará em nada nessa noite, e ela por certo estava muito boa para eu me dar ao luxo de estraga-la. Pego um livro que já havia começado há certo tempo para ler, um de contos de Neil Gaiman, mais nem si quer consegui ler algumas paginas e acabei adormecendo.


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“Lá estava eu, com o grande amor da minha vida, e estava feliz. Parecíamos felizes! Um completava o outro, podia sentir isso.
Apenas sentados em uma escada de bruto cimento de alguma praça qualquer, apenas conversando e olhando a grande lua cheia a cima de nós, lembro que fiquei frustrado ao tentar mostrar algumas estrelas, o céu estava nublado.
Ele sorria lindamente, contando piadas sem graça, mais a maneira que ele falava mais pareciam poesias que uma piada propriamente dita. Ajeitava os óculos de minuto em minuto, tentando disfarçar o nervosismo, e isso me fascinava mais ainda. Lá estávamos, apenas eu e ele sentados curtindo aquele momento, e eu torcia lá no fundo que aquilo nunca tivesse fim!”


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“lá estava eu parado em frente a um grande lago, mais ele não me era estranho. Pois sim, era o lago que fica na chácara de meus pais, mais dessa vez ela estava diferente, era enorme e com as aguas escuras e calmas. Havia um vento forte como de tempestade vindas do norte, e mesmo sendo dia, estava escuro, muito escuro.

Eu senti uma vontade imensa de pular na agua, ora, pois, já o fizera tantas e tantas vezes, pular do pequeno deck de tábuas já construído há anos para nosso divertimento. Como amo a agua! Nadar, mergulhar, sentir a liberdade dos movimentos. É como voar sabe?
Mais um medo incontrolável estava me prendendo ao chão. Não um medo da agua, nem de me afogar, mais das possíveis criaturas que podiam estar abitando suas profundezas.

Pensei comigo. Apenas um louco nadaria em um lago tão fundo e escuro como esse! E foi então que eu vi, ali, no meio do lago, meu sobrinho de quatro anos, com seu pequeno colete salva vidas, feliz, nadando e jogando agua para cima. Confesso que meu medo sumiu por instantâneo, como num passe de magica. E se ele podia em toda sua inocência, eu também deveria ariscar, e me divertir.
Saltei. E como em uma fração de segundos, consegui ter um deja-vu das criaturas horrendas que prefiro nem lembrar que estavam nadando a baixo dele, e então continuei a cair, com meus olhos já em prantos, temendo o pior.“


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 “ele estava tão lindo, tão alegre, tão inocente. E eu feito um bobo parado em sua frente, fascinado com seu jeito, quase sem palavras. O lugar me era estranho, parecia um quarto adolescente, mais nem me lembro desses detalhes, apenas lembro que eu estava feliz, e ele também estava. Ele queria demostrar o quando gostava de mim, me abraçava, beijava, sorria e me penetrava a alma com seus olhos castanho escuro, queria que aquilo fosse real.. mais eu sabia, bem lá em meu intimo, que aquilo não seria mais possível”


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 “eu estava sozinho, sentando na velha sacada antiga de meu apartamento, ouvindo uma musica triste, uma da Rihanna com o  Eminem “Love The Way You Lie”. Eu estava triste, muito triste, mas não sabia ao certo porque, apenas aquela musica, aquela noite estrelada e minhas lagrimas. Lembro que parecia um sábado a noite, quando todos resolviam sair na rua para ir as festas. Eu olhava lá de cima, as pessoas felizes e alegres, e meu único companheiro por dias era apenas o mesmo, o cigarro.
Eu chorava baixinho, não que alguém fosse ouvir, ou ligar, ninguém nunca liga. Mais os fones no ouvido estavam altos e não queria fazer barulho algum. Acredite, a pior coisa é sentir a dor aumentando mais e mais, a ponto de não caber mais no coração e você chorar e chorar por horas e mais horas, e ter a certeza que aquilo tudo não ajudará em nada. “


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“eu não conhecia nenhum deles, não que me lembre. Estávamos em muitos, acampando em uma rua vazia e com lixeiras enormes acredito eu ou apenas perambulando por baixo de viadutos de uma grande cidade. Bebíamos alguma bebida barata, mais que lembro ser tão saborosa. As garotas falavam obscenidades a nós garotos, a fim de conseguir alguém para proteger do frio. Estava frio, isso eu lembro! Pois lembro também que estávamos muito mau vestidos para o clima, se é que podíamos chamar nossas vestes de roupas. Trapos!

Não pensava em nada, não estava feliz e nem triste, nem tão vivo e nem tão morto. Devem ser as drogas, nos deixam inertes, vazios. Todos tinham esse olhar perdido, riam muito e brincavam como crianças em um parque de diversões, desviando de carros e rolando por entre sarjetas. Ou ficavam sérios, tristes e agressivos em questão de segundos. Comigo era o mesmo, não ligava e não me importava. Apenas esse humor instável e inconstante, e uma antipatia sobre humana das pessoas normais que não haviam perdido a sanidade como nós.

-Olha! Disse à garota que estava abraçada a mim tentando proteger-se do frio. Que casal mais lindo de apaixonados sentados ali!
E lá estava ele, aquele que eu sabia que amava mais que a mim mesmo, contando suas piadas nada engraçadas, mais com um sorriso lindo e perfeito em seu rosto, abraçado a um desconhecido, feliz e completo. Vivo!”


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“eu estava em uma espécie de maquina do tempo, com uma tripulação de umas cinco pessoas. Não era para eu estar ali, sei porque estava exprimido em um canto, tentando ao máximo não atrapalhar o piloto da maquina, que eu tentava de todas as formas entender, como o garoto inexperiente que eu conhecia estava tão confiante do que estava fazendo? E ainda  me olhando com seus lindos olhos castanhos escuro e sorrindo. Eu mau conseguia olhar oque se passava lá fora, mais sabia que era uma estrada de chão batido com muitas pedras, ele dirigia rápido e prudente. Senti naquele momento que eu podia ama-lo, mais não sabia mais se seria correspondido.

Percebi então que estávamos em outro universo paralelo ao avistar um carro muito antigo de policia andando ao nosso lado, com as sirenes ligadas, pude ver dentro do carro e era um homem, meu pai, um policial forte e sério. Senti um aperto no coração, como se soubesse que algo iria acontecer.
A nossa frente em uma curva, surge um caminhão também antigo, a toda velocidade. Lembro que gritei o máximo que meus pulmões conseguiam, mais inevitável, foi como assistir a morte de meu pai ao vivo, ver os dois veículos se chocarem de frente, os ferros retorcendo-se e meu pai sendo esmagado, e junto dele senti o mesmo em meu coração.”

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“ estou em um sonho, lembro que pensei, após lembrar que meu pai não era o homem no carro, e tão pouco era policial ou estava morto. Estava sonhando! Pensei, queria poder voltar a meu primeiro sonho, com o garoto que eu amo, quero poder ficar com ele nem que seja em meus sonhos.
Mais ao invés dele, surge o garoto dos olhos castanhos escuro, mais ele não estava sorrindo dessa vez. Estava triste, magoado, inconsolável.

Procurei me aproximar, ao menos tentar abraça-lo para se sentir melhor, mais ele começar a chorar, e eu sei o porquê, a pessoa que eu amava de verdade, e acredito que ele também, havia morrido e nem si quer pudéramos nos despedir, e o pior, estávamos brigados há muito tempo. Muito mais tempo para quem ama de verdade.  Acabo chorando junto.
Aquilo parecia não ter fim, um olhando para o outro e cada vez chorando mais, eu preciso acordar, não aquento mais essa dor no meu peito, acho que vou morrer!”
Acabo acordando com meu rosto molhado, eu estava por certo em lagrimas, e sem entender o que estava mesmo acontecendo. Apenas estava feliz que tudo não passara de um sonho ruim. Salto da cama, pego um cigarro e saio na varanda de minha casa, a fim de sair um pouco de dentro de casa. Paro e fico um tempo ali escorado a parede, esta frio, frio demais para um dia de verão. O cigarro está com um gosto amargo, mais mesmo assim o vicio fala mais alto não deixando me permitir de joga-lo fora.

Ai, então, perdido em pensamentos, frustrado com o final de uma noite tão legal, mais tão trágica, triste e sem compreender nada.. Acabo ouvindo um choro estranho, que mais parecia com um animal sofrendo, mais o choro que vinha em seguida era sem duvidas humano. Desci as escadas na escuridão da noite, pois está nublado e escuro, e percebo então que se trata de uma mulher, minha vizinha na verdade.  Ela estava desolada, chorando muito, totalmente inconsolável.
Eu não a via se é que quer saber, ela estava na casa dela, trancada e com a janela fechada. Chorando prantos e mais prantos, foi inevitável, senti as lagrimas escorrendo por meu rosto. Subi as escadas de volta e sentei a porta de minha casa no escuro, e chorei, junto com a desconhecida, por horas e mais horas. Não sei quais foram os problemas dela, nunca se sabe, pode ter sido uma noite magica e trágica como a minha, ou sonho ruim talvez.



Rogue – AS -