terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Doces pesadelos.







Tão confuso cá estou em meus sentimentos.
Hoje parecia ser uma noite tão especial diferente de todas as outras. Reencontrei alguns amigos, poucos, mais ainda os tenho. Jantamos em minha casa, bebemos, rimos, falamos bobagens, sabe coisas que amigos fazem.
Hoje é uma daquelas noites magicas sabe? Aquela em que não me pego sozinho, andando de um lado ao outro, perdido em minha solidão e com aquela maldita pergunta martelando minha cabeça. Quem sou eu realmente? As pessoas me odeiam? O que eu fiz de mal para ser tratado com desdém e esquecimento?

A não! Hoje não, hoje foi diferente! Senti uma paz de espirito tão grande, estava feliz por certo, poder esquecer os problemas, minha vida, meus dilemas. Às vezes a tristeza bate mesmo depois que as pessoas se vão e você se pega novamente sozinho, aqui em sua casa, jogado e abandonado em seu próprio mundinho, onde as coisas sempre pareceram tão fáceis e alegres, mais que há algum tempo percebi que isso além de não ser saudável, estava começando a me privar da vida lá fora, com pessoas e coisas novas.

Estou esgotado de um dia cansativo, e talvez também tive a grande ajuda do vinho barato que tomamos, o qual sempre me deixa com um sono melhor e mais natural que as pílulas de lexotan que tomo quase todas as noites para tentar dormir. É, foi o vinho.
Fico em duvidas se entro em alguma rede social antes de dormir, mas para que? Apenas para ver que tenho mais de mil amigos, todos apenas conhecidos na verdade, o que confesso me deixa deprimido, ver tantas pessoas interessantes e divertidas, que com certeza seriam ótimos amigos. Mas, essas pessoas, todas elas já têm seus amigos e também conhecidos, e por certo medo ou falta de interesse acabo deixando isso de lado e apenas os deixo em paz. Afinal, estou cansado de criar expectativas nas pessoas e elas te decepcionam uma, duas, três.. quatro vezes.

Perdi a fé nas pessoas? Sim, posso afirmar que sim. Mas também não as odeio, não é culpa delas de me ignorarem, ou ignorarem você ou qualquer outro igual a nós. Existem dois tipos de pessoas, entenda isso de uma vez. As normais, e os “outros”. Não preciso nem dizer onde nos encaixamos nesses dois tipos.
Por fim, desisto de me dar ao trabalho de pegar o notebook e olhar alguma coisa, sei que não me acrescentará em nada nessa noite, e ela por certo estava muito boa para eu me dar ao luxo de estraga-la. Pego um livro que já havia começado há certo tempo para ler, um de contos de Neil Gaiman, mais nem si quer consegui ler algumas paginas e acabei adormecendo.


.... 
“Lá estava eu, com o grande amor da minha vida, e estava feliz. Parecíamos felizes! Um completava o outro, podia sentir isso.
Apenas sentados em uma escada de bruto cimento de alguma praça qualquer, apenas conversando e olhando a grande lua cheia a cima de nós, lembro que fiquei frustrado ao tentar mostrar algumas estrelas, o céu estava nublado.
Ele sorria lindamente, contando piadas sem graça, mais a maneira que ele falava mais pareciam poesias que uma piada propriamente dita. Ajeitava os óculos de minuto em minuto, tentando disfarçar o nervosismo, e isso me fascinava mais ainda. Lá estávamos, apenas eu e ele sentados curtindo aquele momento, e eu torcia lá no fundo que aquilo nunca tivesse fim!”


.....
“lá estava eu parado em frente a um grande lago, mais ele não me era estranho. Pois sim, era o lago que fica na chácara de meus pais, mais dessa vez ela estava diferente, era enorme e com as aguas escuras e calmas. Havia um vento forte como de tempestade vindas do norte, e mesmo sendo dia, estava escuro, muito escuro.

Eu senti uma vontade imensa de pular na agua, ora, pois, já o fizera tantas e tantas vezes, pular do pequeno deck de tábuas já construído há anos para nosso divertimento. Como amo a agua! Nadar, mergulhar, sentir a liberdade dos movimentos. É como voar sabe?
Mais um medo incontrolável estava me prendendo ao chão. Não um medo da agua, nem de me afogar, mais das possíveis criaturas que podiam estar abitando suas profundezas.

Pensei comigo. Apenas um louco nadaria em um lago tão fundo e escuro como esse! E foi então que eu vi, ali, no meio do lago, meu sobrinho de quatro anos, com seu pequeno colete salva vidas, feliz, nadando e jogando agua para cima. Confesso que meu medo sumiu por instantâneo, como num passe de magica. E se ele podia em toda sua inocência, eu também deveria ariscar, e me divertir.
Saltei. E como em uma fração de segundos, consegui ter um deja-vu das criaturas horrendas que prefiro nem lembrar que estavam nadando a baixo dele, e então continuei a cair, com meus olhos já em prantos, temendo o pior.“


.....
 “ele estava tão lindo, tão alegre, tão inocente. E eu feito um bobo parado em sua frente, fascinado com seu jeito, quase sem palavras. O lugar me era estranho, parecia um quarto adolescente, mais nem me lembro desses detalhes, apenas lembro que eu estava feliz, e ele também estava. Ele queria demostrar o quando gostava de mim, me abraçava, beijava, sorria e me penetrava a alma com seus olhos castanho escuro, queria que aquilo fosse real.. mais eu sabia, bem lá em meu intimo, que aquilo não seria mais possível”


.....
 “eu estava sozinho, sentando na velha sacada antiga de meu apartamento, ouvindo uma musica triste, uma da Rihanna com o  Eminem “Love The Way You Lie”. Eu estava triste, muito triste, mas não sabia ao certo porque, apenas aquela musica, aquela noite estrelada e minhas lagrimas. Lembro que parecia um sábado a noite, quando todos resolviam sair na rua para ir as festas. Eu olhava lá de cima, as pessoas felizes e alegres, e meu único companheiro por dias era apenas o mesmo, o cigarro.
Eu chorava baixinho, não que alguém fosse ouvir, ou ligar, ninguém nunca liga. Mais os fones no ouvido estavam altos e não queria fazer barulho algum. Acredite, a pior coisa é sentir a dor aumentando mais e mais, a ponto de não caber mais no coração e você chorar e chorar por horas e mais horas, e ter a certeza que aquilo tudo não ajudará em nada. “


...
“eu não conhecia nenhum deles, não que me lembre. Estávamos em muitos, acampando em uma rua vazia e com lixeiras enormes acredito eu ou apenas perambulando por baixo de viadutos de uma grande cidade. Bebíamos alguma bebida barata, mais que lembro ser tão saborosa. As garotas falavam obscenidades a nós garotos, a fim de conseguir alguém para proteger do frio. Estava frio, isso eu lembro! Pois lembro também que estávamos muito mau vestidos para o clima, se é que podíamos chamar nossas vestes de roupas. Trapos!

Não pensava em nada, não estava feliz e nem triste, nem tão vivo e nem tão morto. Devem ser as drogas, nos deixam inertes, vazios. Todos tinham esse olhar perdido, riam muito e brincavam como crianças em um parque de diversões, desviando de carros e rolando por entre sarjetas. Ou ficavam sérios, tristes e agressivos em questão de segundos. Comigo era o mesmo, não ligava e não me importava. Apenas esse humor instável e inconstante, e uma antipatia sobre humana das pessoas normais que não haviam perdido a sanidade como nós.

-Olha! Disse à garota que estava abraçada a mim tentando proteger-se do frio. Que casal mais lindo de apaixonados sentados ali!
E lá estava ele, aquele que eu sabia que amava mais que a mim mesmo, contando suas piadas nada engraçadas, mais com um sorriso lindo e perfeito em seu rosto, abraçado a um desconhecido, feliz e completo. Vivo!”


.... 
“eu estava em uma espécie de maquina do tempo, com uma tripulação de umas cinco pessoas. Não era para eu estar ali, sei porque estava exprimido em um canto, tentando ao máximo não atrapalhar o piloto da maquina, que eu tentava de todas as formas entender, como o garoto inexperiente que eu conhecia estava tão confiante do que estava fazendo? E ainda  me olhando com seus lindos olhos castanhos escuro e sorrindo. Eu mau conseguia olhar oque se passava lá fora, mais sabia que era uma estrada de chão batido com muitas pedras, ele dirigia rápido e prudente. Senti naquele momento que eu podia ama-lo, mais não sabia mais se seria correspondido.

Percebi então que estávamos em outro universo paralelo ao avistar um carro muito antigo de policia andando ao nosso lado, com as sirenes ligadas, pude ver dentro do carro e era um homem, meu pai, um policial forte e sério. Senti um aperto no coração, como se soubesse que algo iria acontecer.
A nossa frente em uma curva, surge um caminhão também antigo, a toda velocidade. Lembro que gritei o máximo que meus pulmões conseguiam, mais inevitável, foi como assistir a morte de meu pai ao vivo, ver os dois veículos se chocarem de frente, os ferros retorcendo-se e meu pai sendo esmagado, e junto dele senti o mesmo em meu coração.”

.... 
“ estou em um sonho, lembro que pensei, após lembrar que meu pai não era o homem no carro, e tão pouco era policial ou estava morto. Estava sonhando! Pensei, queria poder voltar a meu primeiro sonho, com o garoto que eu amo, quero poder ficar com ele nem que seja em meus sonhos.
Mais ao invés dele, surge o garoto dos olhos castanhos escuro, mais ele não estava sorrindo dessa vez. Estava triste, magoado, inconsolável.

Procurei me aproximar, ao menos tentar abraça-lo para se sentir melhor, mais ele começar a chorar, e eu sei o porquê, a pessoa que eu amava de verdade, e acredito que ele também, havia morrido e nem si quer pudéramos nos despedir, e o pior, estávamos brigados há muito tempo. Muito mais tempo para quem ama de verdade.  Acabo chorando junto.
Aquilo parecia não ter fim, um olhando para o outro e cada vez chorando mais, eu preciso acordar, não aquento mais essa dor no meu peito, acho que vou morrer!”
Acabo acordando com meu rosto molhado, eu estava por certo em lagrimas, e sem entender o que estava mesmo acontecendo. Apenas estava feliz que tudo não passara de um sonho ruim. Salto da cama, pego um cigarro e saio na varanda de minha casa, a fim de sair um pouco de dentro de casa. Paro e fico um tempo ali escorado a parede, esta frio, frio demais para um dia de verão. O cigarro está com um gosto amargo, mais mesmo assim o vicio fala mais alto não deixando me permitir de joga-lo fora.

Ai, então, perdido em pensamentos, frustrado com o final de uma noite tão legal, mais tão trágica, triste e sem compreender nada.. Acabo ouvindo um choro estranho, que mais parecia com um animal sofrendo, mais o choro que vinha em seguida era sem duvidas humano. Desci as escadas na escuridão da noite, pois está nublado e escuro, e percebo então que se trata de uma mulher, minha vizinha na verdade.  Ela estava desolada, chorando muito, totalmente inconsolável.
Eu não a via se é que quer saber, ela estava na casa dela, trancada e com a janela fechada. Chorando prantos e mais prantos, foi inevitável, senti as lagrimas escorrendo por meu rosto. Subi as escadas de volta e sentei a porta de minha casa no escuro, e chorei, junto com a desconhecida, por horas e mais horas. Não sei quais foram os problemas dela, nunca se sabe, pode ter sido uma noite magica e trágica como a minha, ou sonho ruim talvez.



Rogue – AS - 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

velhas canções.




Acho fascinante o quanto temos povos, costumes e culturas diversificadas em todo o mundo. 
E mais ainda, como as canções mudam de lugar a lugar. 
Não se precisa ir muito ao longe, se observar nosso país, como é rico em cultura e diversidade.
Várias canções são nos ensinadas de berço, crescemos as ouvindo, e quando crescemos esquecemos de procurar seus significados, ora pois, você nunca parou para pensar em os verdadeiros significados do "atirei o pau no gato" ou "marcha soldado"?


Pare e reflita um pouco nas velhas canções de sua infância, perceba sua beleza e ensinamentos. 
Assim como nós, em todo mundo se ensinam a crianças desde os primórdios da humanidade as velhas canções, mais conhecidas como "canções de ninar" ou "brincadeiras de rodas". 


Sempre que ouso musicas Folk ou celta, ou qualquer outra de raízes mais antigas, confesso que viajo a tempos remotos de outrora, um tempo que consigo me ver criança cantando essas canções alegres e com grandes lições de vida e aprendizado. 

A música a seguir é de uma de minhas bandas preferidas, pois confesso que sou fã de metal sinfônico, aconselho a ouvirem e, se possível, fechem os olhos e tentem a experiencia de voltar a suas origens.

A propósito, só para matar a curiosidade, o nome da banda em si já é fantástica, "Eluveitie".  
que significa "o Helvécio", retirada de antigas escritas encontradas por volta de (ca. 300 a.C.).

Espero que gostem!

ELUVEITIE - "Omnos" 


Canção escrita na antiga e já extinta língua Gaulesa.

Immi daga uimpi geneta,
lana beððos et' iouintutos.
Blatus ceti, cantla carami.
Aia gnata uimpi iouinca,
pid in cete tu toue suoine,
pid uregisi peli doniobi?
Aia gnata uimpi iouinca,
pid in cete tu toue suoine
Aia mape In blatugabagli uorete,
cante celiIui in cete
N'immi mapos, immi drucocu.
In cetobi selgin agumi,
selgin blatos tou' iouintutos.
Nu, uoregon, cu, uorigamos,
lamman, cu, suuercin lingamos,
indui uelui cantla canamos!
N'immi mapos, immi drucocu.
In cetobi selgin agumi,
Ne moi iantus gnaton uorega,
iantus drucocunos uoregon,
Cu allate, papon sod urege,
eððiIo de iantu in cridie.
VediIumi: cante moi uosta!
Ne, a gnata, cante t' usstami,
ne te carami.
Boua daga uimpi geneta.
Immi trouga, lana nariIas.

menina: Eu sou uma garota bondosa e bela
Cheia de virtude e juventude.
As flores da floresta e as canções, eu as amo.

menino: Ei, bela jovem,
o que faz sozinha nesta distante floresta?
tão afastada dos outros humanos?
Ei, bela jovem,
o que você faz sozinha nesta floresta?

menina: Ei, garoto bonito, venha aqui!
Vamos colher algumas flores juntos na floresta?

menino: Eu não sou um garoto, sou o Lobo Mau
Na floresta eu caço,
caço a flor da sua juventude.

menina: Bem, Lobo, vamos brincar de um jogo,
Vamos dançar uma alegre dança,
vamos cantar músicas decentes!

menino: Eu não sou um garoto, sou o Lobo Mau.
Na floresta, eu caço.

menina: Eu não gosto dos jogos de crianças,

menino:Eu gosto das brincadeiras sinistras dos lobos, no mais profundo da floresta, com você.
......

menina: Lobo Selvagem,
Faça o que quer que seu coração deseja,
Mas eu lhe imploro: Fique comigo!

menino: não, menina, eu não continuarei com você!
Nunca te amei.
menina: Eu era uma garota bondosa e bela.
Agora, sou uma pobre garota coberta de vergonha.



Rogue - AS -

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O poder Wicca.





As pessoas quando houvem que você é um Wicca, elas pensam e deduzem que você é um ser supremo com todas as receitas, poções, magias e feitiços do mundo na sua cabeça, livro ou varinha de condão. Acho engraçado como as pessoas olham você com interesse quando você diz seguir uma determinada religião e outras com cara de espanto e pensando com qual diabo você fez um pacto.


Ser seguidor de uma religião não convencional está sendo de grande procura por todos que buscam "algo" para a sua vida. Todos ficam sintonizados, lendo revistinhas de "Wichcraft", Seriados, ou buscando sacerdotes e/ou sacerdotisas que lhe ensinem um caminho a seguir, com suas receitas de bolos para solucionar todos os problemas da sua vida.


Vou ser sincero, se você busca uma solução para todos os seus problemas e um atalho para a felicidade, esse caminho provavelmente não é o da Bruxaria Tradicional. Não ensinamos os atalhos para o qual cada um deve seguir, nem mostramos seus animais guardiões para seres expostos como bichinhos de estimação e nem saímos em praça pública com atames e "parafernalha" pendurada pelo pescoço para dizer que somos diferentes e possuímos poder.


O caminho de um Bruxo é o de se auto-descobrir todos os dias, buscar na reflexão qual o sentido de sua jornada, lutar e enfrentar diariamente o seu maior inimigo, que é a si mesmo. O poder do Bruxo está no intuito de suas ações, buscando no caminho todo o conhecimento e sabedoria para sentar-se com os semelhantes na fogueira e compartilhar o conhecimento da batalha travada. Não buscamos títulos e reconhecimento da sociedade para nos verem como superiores, buscamos apenas o respeito de nossos semelhantes para seguirmos nosso caminho em paz e em Awen.


Para quem pretende seguir um caminho de conhecimento, sabedoria e êxtase, tem que aprender a dar valor a sua conduta. Aprender a ter humildade para reconhecer sua ignorância perante os acontecimentos, lealdade para com os amigos e honestidade consigo mesmo. Reconhecer suas fraquezas e medos, mas não deixar que ele os domine, mas buscar neles as forças necessária para ter coragem e força para seguir com a proteção dos Deuses.


Saber quem você é, qual a sua origem e valorizar seu sangue (ancestrais) é fundamental para entender como você age e se relaciona com o mundo. Vejo muitos dizendo que são bruxos e mau conseguem conversar com a sua mãe, acreditam que ser rebeldes com roupas pretas os diferenciam e dá poder para agirem da forma que desejam sem responsabilidade alguma, fazendo "feiticinhos" e unguentos que resolvam seus problemas amorosos, financeiros e familiares. Vou contar um segredinho, você é responsável por suas ações, suas derrotas e vitórias, só assim haverá crescimento, maturidade e aprendizado. 




Rogue - AS - 



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

caros leitores!



 Por motivos de falta de tempo, mesmo estando com várias idéias de novas historias e a continuação de " The beginning" começada, não consegui dar prosseguimento.

Mas.. fiquem no aguardo, logo logo eu volto.

Obrigado a todos e que a Deusa lhes dê suas benças.  


Rogue - AS -

O profeta das formigas humanas.







Nossa história se passa nos meados de 1981, Serra Pelada, Brasil. 
Meu nome: Jorge da Silva Jr. Mais um entre tantos Jorges, Pedros, Robertos. Gostaria de poder contar minha história, mais tão entediante é minha vida que nem eu mesmo acho graça de contar de meu passado a meus próprios filhos, quem dirá a vocês desconhecidos.

Aqui, nesse lugar esquecido por Deus, fácil perder a fé. Às vezes paro o observo aquele mar de gente aglomeradas em tão pouco espaço, sujas de barro e poeira, toda e qualquer semelhança com as formigas é enorme. “É a ganancia dos homens”. Já dizia meu falecido pai, que também perdera a vida ano passado, como tantos outros, em acidentes tão comuns nas minerações.

Na época falava-se em mais de trinta mil homens, mas estando aqui, pareciam ser muitos mais. Homens de várias partes do país, de todas as etnias e raças, crianças, jovens e velhos. E foi aqui, no meio de tantos homens ambiciosos, mais esperançosos, que conheci o verdadeiro dono que a esta história pertence. Seu nome ainda desconheço, só lembro que todos o chamavam de filósofo. Acredito que todo mundo conhece em sua vida um “filósofo”, a pessoa que entende sobre tudo na vida e sempre sabe prender a atenção de todos quando está a contar suas histórias, verídicas ou não, mesmo assim fascinantes.  

Filósofo era um jovem alto, bem diferente do padrão dos habitantes do norte do estado, parecia-se muito a os gringos que conhecíamos dos filmes americanos, loiro e dos olhos azuis quase brancos de tão claros. Sempre chamava atenção de todos a noite, quando estava de banho tomado e com roupas limpas. E como as mulheres o adoravam! Afinal, um jovem formoso e inteligente, perdido naquele fim de mundo, á de ser admirado mesmo.

Confesso, que mesmo casado, nunca fui de desperdiçar uma boa rapariga. Nosso estaleiro ficava por sorte perto de um rústico bar, onde eram comuns as bebedeiras e jogatinas. Assim também como as brigas e as não tão formosas jovens a enroscar-se a um e outro atrás de um dinheiro fácil, ou apenas algum pagante de bebidas grátis. Por esse meu fraco por mulheres, foi que percebi que fazendo amizade com o jovem protagonista dessa historia, eu havia certamente de me dar bem com o mulherio.
Com o passar dos meses, filósofo acabou agregando muitos mais “amigos” que uma pessoa normal faria. Começou ser tão comum mais de vinte ou trinta pessoas sentar-se a noite ao redor de uma grande fogueira, bebendo goles da amarga cachaça e fumando fedorentos cigarros feitos a mão mesmo com fumo ainda molhado comprado na mercearia de seu Juca.

E como ele falava bonito! Pensava comigo enquanto escutava atentamente a suas historias, sobre como conheceu um lobisomem autentico em um vilarejo de nativos indígenas no coração da Amazônia, e como para os mesmos aquilo era tão natural. De tempos em que trabalhara em um circo como tratador dos animais e conhecera nosso país de canto a canto. Dos tempos que conhecera tropeiros ao sul e como era fascinante cavalgar por léguas levando o gado, vez e outra ele contava histórias que ouvira sobre lendas e aventuras que para nós que morávamos tão longe ao norte do estado, jamais sonhara em deslumbrar. As vezes falava sobre livros que lera no tempo que era seminarista em um colégio interno, sobre religião de outros países, teorias de conspiração de presidentes e sociedades secretas, vida em outros planetas, filósofos e teólogos, psicólogos e grandes escritores nacionais e de fora do País.

Durante a longa jornada do dia, desde o amanhecer até o por do sol, ele era quieto, focado. Parecia até mais um de nós ali, com a picareta em mãos, cavando aqui e ali, também em busca de um milagre para mudar sua vida. Ele mesmo contava às vezes o que faria quando encontrasse uma grande pedra de ouro nas minerações. Nem tanto os planos do mesmo nos fascinavam, como o sorriso em seu rosto, e aquele brilho em seu olhar.

Até mesmo o mais desesperado dos homens, muda seu estado de espírito apos uma noite fascinante das historias do rapaz. E assim passou-se o tempo, acredito ter sido anos. O numero agora de seguidores do mesmo era espantoso. Nenhum de nós ou até mesmo o jovem (procuro acreditar que não soubesse) sabia da repercussão que isso teria. Até mesmo uma equipe de televisão veio tempos atrás e fez uma longa reportagem sobre o mesmo. Eles a chamaram de “a nova religião dos garimpeiros”, onde se referiam a filósofo o novo pregador ou pastor.

Ora, pois, o jovem nada mais fazia que contar histórias, mais com o passar do tempo, as pessoas começaram a lhe procurar para pedir conselhos sobre a vida, dificuldades, pedindo aconselhamentos e até mesmo para confessar seus pecados. No começo ele não levava aquilo muito a sério, que mal haveria em dar esperança a aqueles pobres homens?

Ele já não tinha mais tempo para as garimpagens, agora, ficava apenas no grande pavilhão construído com o dinheiro de muitos de seus fanáticos seguidores. Ele estava diferente, eu sei por que o conhecera há tanto tempo, e havia uma grande diferença do jovem e alegre contador de histórias e o homem que agora estava sempre bem vestido e limpo, o qual agora tinha um ar mais misterioso e serio. Suas histórias agora eram mais sérias e assustadoras, parece até que todas aquelas historias de terror que nos contara outrora eram sinais de algo maior que estava para acontecer futuramente. 

Não demorou a começar a falar sobre o fim dos tempos, ele agora julgava as pessoas pela ganancia, e que mesmo com todo dinheiro do mundo, isso não compraria um lugar no céu.
Era o ano de 1984, e uma grande leva de mineradores estavam desanimados, já não se encontrava vestígio algum de ouro ou outras preciosidades nas escavações. Parecia que realmente, como havia sido pregada pelo jovem, a ganancia estava acabando com a vida de muitos. Casos e mais casos de mortes por dividas, muitos cainham em uma depressão, e adoentados, partiam enfermos ou perdiam suas vidas por ali mesmo. Oque antes era motivo de felicidade, agora era impossível de se compartilhar a informação de que encontrara algo. Estava tornando-se comum o roubo com morte aqueles que encontravam algo.

Eram tempos difíceis, o que mantinha as pessoas na linha era a fé que depositavam na nova religião criada pelo mestre filósofo. Foi então que uma noite, após um discurso hora incentivador, hora assustador, ele me pedira para aguardar que tinha de conversar comigo.

Esperei por um longo tempo até que ele despedia-se de seus fieis, mais ele estava mais sério que de costume. Por fim, me chamara para uma sala ao lado do grande salão, e sem mais delongas, foi me questionando.

-Tempos difíceis se aproximam meu velho amigo, você já ha de ter percebido, mais estamos prestes a enfrentar o caos aqui. O governo está insistindo em apoderar-se das terras, e seremos obrigados por fim a abandonarmos tudo isso.

Ele estava com ar de preocupado, mais sabia que não era pelo minério, até porque há tempos ele havia parado de escavar. Desviou o olhar para uma pequena janela que dava para o grande vale, estava uma lua cheia linda, a qual fazia da escuridão quase um dia lá fora.

-Vê tudo isso? Se deixar esses fanáticos chegarão a china de tanto cavar. Ele ri.
Por um momento consegui ver no seu sorriso o jovem alegre que costumava beber goles da amarga cachaça a beira da fogueira, despreocupado com o futuro.

Ele abre uma gaveta trancafiada a chave, e do mesmo tira uma pequena caixa de madeira. Olha fixamente em meus olhos cansados do longo dia de escavação, já pedindo por uma boa noite de sono.
-Tome. Quero que assim que nascer o sol, parta daqui e vá buscar sua família. Você não terá grandes chances se for morar em uma cidade grande, então quero que compre uma chácara seja lá onde desejar, e que tenha uma vida boa e direita.

Largou em minha calejada mão algumas pequenas pedras de ouro e alguns diamantes ainda sujos e virgens. Fiquei pasmo. Por certo ele tinha muito mais de onde aquilo veio. Estava confuso e alegre ao mesmo tempo, ninguém jamais em sua vida havia me dado nada, e como já conhecia o ditado, nada era de graça nesse mundo de Deus.

-Por que isso mestre?
Ele riu novamente, eu nunca o chamara de mestre apesar de todos o fizessem. Fiquei por certo envergonhado, parecia-me um puxa saco.

-As coisas estão ficando difíceis aqui, não demora a minha partida também. Eu já o teria feito meu velho amigo mais ainda não sei como o fazer. Meus fieis há tempos doam-me muito dinheiro, e não vou negar que cai na tentação de partir daqui a tempos. Mais cada dia que passava a ganancia e o peso na consciência não me o deixara fazer isso.

Eu ainda tenho algum tempo, para pensar em que fazer, se distribuo esse dinheiro entre meus fiéis, ou seja lá o que tiver que fazer.
Eu estava perplexo, mesmo sendo um cara desinformado e pouco estudado, sabia das coisas da vida, e aquilo não parecia correto. Mais quem sou eu para julga-lo? Antes que pudesse falar algo, ele me levanta de onde eu estava sentado e me dá um forte abraço.

-Vá em paz meu amigo, que Deus lhe ajude e proteja.
Não consegui falar palavra alguma, tão pouco consegui pregar meu olho para dormir. Não havia sono nem cansaço mais, eu estava triste por partir, preocupado por alguém desconfiar do que eu possuía e ser morto, e com uma alegria como há anos quando ficara sabendo da corrida pelo ouro e pusera meus pés ali pela primeira vez.

Mal o dia amanheceu, e eu parti, dei a desculpa que não estava me sentindo bem e que teria de ir ao hospital, até porque estava mesmo com olheiras horrendas e aspecto de doente. Parti então, e fiz como meu velho amigo mandara, peguei minha família, comprei uma fazenda com gado e plantações de grãos no mato grosso, e cá estou.

Todas as noites me pergunto como teria sido se ele não tivera me ajudado, o que seria de mim ou de meus familiares, qual destino estivera reservado para mim. Estamos no final de 1989, vi no tele jornal que todos estão abandonando serra pelada, já não encontram nada por lá. Nunca havia contando a real historia de como ficara rico ou do grande filósofo que fascinava com suas histórias.

Deve estar se perguntando, o que de fato aconteceu a o mestre filósofo. Pois bem, não sei ao certo, pois surgiram várias versões para o ocorrido, mais a que acredito ser a verdadeira deu-se da seguinte maneira.
Em certa noite, descrentes de seu futuro inserto, alguns planejaram a morte do jovem. Invadiram o pavilhão à noite, e não eram poucos, vários deles. Saquearam e destruíram, adentraram o quarto do jovem mestre e o assassinaram ali mesmo em sua cama, dezenas de facadas desferidas no pobre. Dizem que o mesmo si quer reagiu, teve uma morte lenta e triste, e nada digna.

Lembro que saiu algo na época nos jornais, nada especial obviamente. Mais posso imaginar o sofrimento de todos seus fieis a verem em chamas o grande pavilhão, e dentro dele o corpo daquele que muito lhes ajudara. Até sonhei por varias noites com o ocorrido, eu estava lá, parado em frente, imóvel observando tudo. Era uma bagunça sem tamanho, pessoas correndo com baldes de água, muito desespero e lagrimas. As chamas rasgavam a escuridão da noite, clareando a mansidão do vale, uma tristeza sem tamanho.
Gosto dessa versão da historia, prefiro assim. Ele morreu como mártir. Aborrece-me pensar que talvez ele mesmo tivesse posto fogo, e fugido na calada da noite com a fortuna que havia arrecadado. Um corpo jamais fora encontrado entre os destroços, até por que as autoridades nem se preocuparam em fazer alguma busca detalhada, tão pouco o importava. Mais correu a lenda que sem um corpo, reforçava mais ainda a fé que o mestre havia sido arrebatado por anjos celestiais. Crendices do povo.

Seja qual foi o final, essa é a história do jovem sonhador, que hora ambicioso, hora humilde. O contador de histórias que ficou famoso, que criou raízes e seguidores. Aquele que muitos dariam suas vidas sem pensar se ele o pedisse. É incrível o poder que palavras tem na vida das pessoas. Muitos nascem e morrem sem um propósito, e outros, sem perceber, salvam vidas. Afirmo isso, ele me salvou dando a oportunidade de trilhar uma vida diferente, e penso em tantos outros que ele tenha ajudado. Não foi um santo e tão pouco queria ser tratado assim, mais fez a diferença para milhares de pessoas, e a intenção é que vale. Deixo aqui essas palavras para você, meu amigo, meu mestre. E espero que não leia essas palavras um dia, e se ler, saiba que agradeço por tudo, parti aquela noite sem proferir palavra alguma e isso me dá certo remorso.

E se está realmente morto, que assim procuro acreditar, que esteja em paz, e saiba que seus fieis ainda rezam por ti e um dia vamos nos encontrar novamente em algum outro plano, para que conte suas fascinantes e incontáveis histórias de sua própria boca.

Obrigado por tudo, de seu primeiro discípulo, Jorge.



Outubro, 21 de 1899. 



Rogue - AS -


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

The beginning. parte 2.




  Caminhos alegres.


Eu estava tão feliz, que impossível não demostrar isso a quem convivesse comigo. 
Era começo de dezembro, melhor época do ano para mim, pois era um mês cheio de feriados e comemorações, e o melhor de tudo, eu estava entrando de férias de meu trabalho. 
Um mês inteiro longe dos problemas, dos colegas chatos, do chefe mala. Como é bom poder dormir até o meio dia, sem compromisso algum.
Receber os amigos em casa, beber aquela cerveja gelada e dar muitas risadas. 


Era dia três de dezembro, lembro-me de acordar com um gostoso beijo de minha namorada. Ela brinca que já passa das onze de manhã e eu ainda estava na cama. Puxo-a e a seguro entre os braços, ela é baixinha e magra, e linda com seus cabelos negros e curtos. Mesmo fazendo uma força horrenda, não é pariu para mim. 
A seguro e a beijo incansavelmente, até que ela acaba cedendo. Nada como começar o dia fazendo um amor gostoso. 


Como eu trabalhava o dia todo, mal tinha tempo de ver meus amigos, a não ser em alguns finais de semana quando minha namorada me permitia. Ela era muito ciumenta, mas não posso negar que adorava passar as horas com ela. Mais para minha sorte, ela trabalhava de estagiaria todas as tardes, então, já estava virando costume nos reunirmos para beber e jogar conversa fora todas as tardes na sua ausência. 


Foi então que tivemos a brilhante ideia, de fazermos uma viagem. Ora, pois, férias não são ferias sem umas boas viagens. Lembro que em questão de minutos tudo já estava organizado, onde iriamos, quem levaríamos junto, o que precisava ser comprado, parecíamos crianças entusiasmadas por ir ao parquinho. 


Os restantes dos dias antecedentes á viagem transcorreram dignamente como deveriam ser férias perfeitas, almoços com a família, futebol com os amigos, cinema com a namorada, andar só de cueca e meias, despreocupado pela casa. Poderia eu estar mais feliz?  








Caminhos Tortuosos.



Como uma pessoa inteligente que o sou, durante o ano todo vinha guardando uma boa grana, para que enfim, agora pudesse desfrutar o melhor desses trinta dias sem me preocupar. Malas prontas, lotamos dois carros e partimos já no nascer do dia a nosso destino, que ficava a mais de mil quilômetros de distância. 
Era longe, mais o divertido dessas viagens é a aventura da viagem em si, nada como estar entre amigos. 


Riamos o tempo todo, entre uma cerveja e outra, e uns bons cigarros mentolados. Musicas retro tocando no ultimo volume no som de nosso carro. 
Minha namorada era a única que às vezes me deixava irritado, com o mapa a mão ficava tentando bancar a copiloto, e o mais chato era ela xingando meu amigo a cada ultrapassagem. E quanto mais eu pedia para ela deixar de ser neurótica, ai que ela ficava pior. 

Já era final de tarde, e encontramos um hotel de beira de estrada para passarmos a noite. Estávamos exaustos pela viagem, jantamos e fomos direto cada qual os seus quartos. Tentei trocar algumas caricias com minha namorada, mais ela veio com um papo chato de eu tratar ela mal, que quando estava com meus amigos ficava diferente e bruto. Conversa fiada. 
Enfim, acabei indo dormir frustrado, e para ajudar a cama era horrível, acordei mais cansado do que quando me deitara. 


Logo ao amanhecer prosseguimos viagem, andamos por horas e horas, e quando demos por si estávamos perdidos e quilômetros de distancia da estrada principal. Tentamos encarar aquilo normalmente, rimos muito do motorista que estava indo a nossa frente, nós apenas fomos o seguindo e onde ele foi nos levar? 
Cogitamos a hipótese de voltarmos pelo mesmo caminho, mais perderíamos horas, então optamos por seguir em frente até encontrarmos uma intersecção de volta a estrada principal. 


Confesso, eu realmente já estava ficando estressado com aquilo, nosso GPS nos mostrava estradas que não existiam, e rodávamos por horas, o asfalto já acabara há tempos e tudo que tínhamos a frente era estrada de terra e muita poeira. 
Mal aquentávamos de tanto calor, trancafiados em cinco pessoas dentro de um carro apertado, com as janelas fechadas para evitar a poeira, sendo que a mesma se infiltrava por entre o ar condicionado do carro. Aquilo foi me deixando enjoado e com dor de cabeça, não contei, mais tivemos que parar diversas ocasiões para um e outro (inclusive eu) vomitar. 


Desistimos do GPS, partimos novamente para os mapas, e para nosso espanto, aquelas estradas nem estavam catalogadas nos mesmos, tudo que havia eram enormes árias verdes. Realmente, eu se esquecera de citar esse detalhe, andávamos por horas em estradas de terra, onde toda a paisagem que víamos era uma floresta sem fim. 
Já estava anoitecendo, e o cansaço já estava incomodando a todos, fizemos uma fogueira ali no meio da estrada mesmo, era uma estrada reta onde mal podia ser ver o começo e seu fim, e de ambos os lados, árvores e mais árvores, uma mata virgem e fechada. 
Montamos nossas barracas, e tentamos esquecer-se dos problemas, ao menos ate o amanhecer, seria um novo dia e por certo as coisas melhorariam. 


Bebemos muito, dançamos, rimos, até minha namorada estava diferente, estava feliz, e pela primeira vez a via brincando com meus amigos e trocando insultas e palavrões. Não lembro bem, só sei que dormi tão bem como a muito não dormira. 







Caminhos estranhos. 


Nosso combustível estava acabando, mesmo tendo uma noite agradável, o nascer do dia foi como voltar ao pesadelo. Estávamos todos mal humorados, alguns de ressaca. Eu particularmente estava mais estressado que nunca, antes de desmontarmos acampamento já havia tido uma discussão feia com um dos meus melhores amigos, pois fora ele quem se perdera e nos meteu naquela enrascada. 


E agora estamos aqui, todos preocupados, sem sinal de celular, um GPS que mostra caminhos totalmente diferentes de onde estamos e um mapa onde mostra alguns bares e postos de gasolinas, mais nada existe. Apenas a estrada sem fim a nossa frente e as arvores cada vez mais velhas e negras. 

Agora infelizmente a situação estava crítica, a gasolina já não duraria muito, e precisávamos agir ou ficaríamos todos presos ali.  
Juntamos todo o combustível e botamos no carro do meu amigo, pois o dele era mais econômico que o nosso, por sorte sempre carregávamos alguns litros reserva na porta malas, minha namorada nos chamou de loucos quando os viu, mais agora eu sei que no seu pensamento está nos agradecendo por sermos tão babacas.   


Partiram em dois em busca de socorro, e nós, oito pobres infelizes ficamos ali, em meio ao nada, tudo que podíamos fazer era aguardar e torcer para que ao menos o sinal de celular deles pudesse voltar para pedir auxilio. 
Ficamos ali, todos um tempo em silêncio, apenas vendo o carro desaparecer na infinita estrada. A poeira sumia ao longe quando senti minha namorada abraçando-me por trás.


-Eles vão voltar.

Tentei não ser negativo e demostrei lhe um sorriso de afirmação. Agora, tudo que podíamos fazer era montar nossas barracas, acender uma fogueira e rezar para que as coisas não piorassem. Também pudera piorar? Tentava não pensar nisso.



Continua...




Rogue - AS -