Tão confuso cá estou em meus sentimentos.
Hoje parecia ser uma noite tão especial
diferente de todas as outras. Reencontrei alguns amigos, poucos, mais ainda os
tenho. Jantamos em minha casa, bebemos, rimos, falamos bobagens, sabe coisas
que amigos fazem.
Hoje é uma daquelas noites magicas sabe? Aquela
em que não me pego sozinho, andando de um lado ao outro, perdido em minha
solidão e com aquela maldita pergunta martelando minha cabeça. Quem sou eu
realmente? As pessoas me odeiam? O que eu fiz de mal para ser tratado com
desdém e esquecimento?
A não! Hoje não, hoje foi diferente! Senti uma
paz de espirito tão grande, estava feliz por certo, poder esquecer os
problemas, minha vida, meus dilemas. Às vezes a tristeza bate mesmo depois que
as pessoas se vão e você se pega novamente sozinho, aqui em sua casa, jogado e
abandonado em seu próprio mundinho, onde as coisas sempre pareceram tão fáceis
e alegres, mais que há algum tempo percebi que isso além de não ser saudável,
estava começando a me privar da vida lá fora, com pessoas e coisas novas.
Estou esgotado de um dia cansativo, e talvez
também tive a grande ajuda do vinho barato que tomamos, o qual sempre me deixa
com um sono melhor e mais natural que as pílulas de lexotan que tomo quase
todas as noites para tentar dormir. É, foi o vinho.
Fico em duvidas se entro em alguma rede social
antes de dormir, mas para que? Apenas para ver que tenho mais de mil amigos,
todos apenas conhecidos na verdade, o que confesso me deixa deprimido, ver tantas
pessoas interessantes e divertidas, que com certeza seriam ótimos amigos. Mas,
essas pessoas, todas elas já têm seus amigos e também conhecidos, e por certo
medo ou falta de interesse acabo deixando isso de lado e apenas os deixo em
paz. Afinal, estou cansado de criar expectativas nas pessoas e elas te decepcionam
uma, duas, três.. quatro vezes.
Perdi a fé nas pessoas? Sim, posso afirmar que
sim. Mas também não as odeio, não é culpa delas de me ignorarem, ou ignorarem
você ou qualquer outro igual a nós. Existem dois tipos de pessoas, entenda isso
de uma vez. As normais, e os “outros”. Não preciso nem dizer onde nos
encaixamos nesses dois tipos.
Por fim, desisto de me dar ao trabalho de pegar
o notebook e olhar alguma coisa, sei que não me acrescentará em nada nessa
noite, e ela por certo estava muito boa para eu me dar ao luxo de estraga-la.
Pego um livro que já havia começado há certo tempo para ler, um de contos de
Neil Gaiman, mais nem si quer consegui ler algumas paginas e acabei adormecendo.
....
“Lá estava eu, com o grande amor da minha vida, e
estava feliz. Parecíamos felizes! Um completava o outro, podia sentir isso.
Apenas sentados em uma escada de bruto cimento
de alguma praça qualquer, apenas conversando e olhando a grande lua cheia a
cima de nós, lembro que fiquei frustrado ao tentar mostrar algumas estrelas, o
céu estava nublado.
Ele sorria lindamente, contando piadas sem
graça, mais a maneira que ele falava mais pareciam poesias que uma piada
propriamente dita. Ajeitava os óculos de minuto em minuto, tentando disfarçar o
nervosismo, e isso me fascinava mais ainda. Lá estávamos, apenas eu e ele sentados
curtindo aquele momento, e eu torcia lá no fundo que aquilo nunca tivesse fim!”
.....
“lá estava eu parado em frente a um grande lago,
mais ele não me era estranho. Pois sim, era o lago que fica na chácara de meus
pais, mais dessa vez ela estava diferente, era enorme e com as aguas escuras e
calmas. Havia um vento forte como de tempestade vindas do norte, e mesmo sendo
dia, estava escuro, muito escuro.
Eu senti uma vontade imensa de pular na agua,
ora, pois, já o fizera tantas e tantas vezes, pular do pequeno deck de tábuas
já construído há anos para nosso divertimento. Como amo a agua! Nadar,
mergulhar, sentir a liberdade dos movimentos. É como voar sabe?
Mais um medo incontrolável estava me prendendo
ao chão. Não um medo da agua, nem de me afogar, mais das possíveis criaturas
que podiam estar abitando suas profundezas.
Pensei comigo. Apenas um louco nadaria em um lago
tão fundo e escuro como esse! E foi então que eu vi, ali, no meio do lago, meu
sobrinho de quatro anos, com seu pequeno colete salva vidas, feliz, nadando e
jogando agua para cima. Confesso que meu medo sumiu por instantâneo, como num
passe de magica. E se ele podia em toda sua inocência, eu também deveria
ariscar, e me divertir.
Saltei. E como em uma fração de segundos,
consegui ter um deja-vu das criaturas horrendas que prefiro nem lembrar que
estavam nadando a baixo dele, e então continuei a cair, com meus olhos já em
prantos, temendo o pior.“
.....
“ele estava tão lindo, tão alegre, tão inocente.
E eu feito um bobo parado em sua frente, fascinado com seu jeito, quase sem
palavras. O lugar me era estranho, parecia um quarto adolescente, mais nem me
lembro desses detalhes, apenas lembro que eu estava feliz, e ele também estava.
Ele queria demostrar o quando gostava de mim, me abraçava, beijava, sorria e me
penetrava a alma com seus olhos castanho escuro, queria que aquilo fosse real..
mais eu sabia, bem lá em meu intimo, que aquilo não seria mais possível”
.....
“eu estava sozinho, sentando na velha sacada
antiga de meu apartamento, ouvindo uma musica triste, uma da Rihanna com o Eminem “Love The Way You Lie”. Eu estava
triste, muito triste, mas não sabia ao certo porque, apenas aquela musica,
aquela noite estrelada e minhas lagrimas. Lembro que parecia um sábado a noite,
quando todos resolviam sair na rua para ir as festas. Eu olhava lá de cima, as
pessoas felizes e alegres, e meu único companheiro por dias era apenas o mesmo,
o cigarro.
Eu chorava baixinho, não que alguém fosse ouvir,
ou ligar, ninguém nunca liga. Mais os fones no ouvido estavam altos e não
queria fazer barulho algum. Acredite, a pior coisa é sentir a dor aumentando
mais e mais, a ponto de não caber mais no coração e você chorar e chorar por
horas e mais horas, e ter a certeza que aquilo tudo não ajudará em nada. “
...
“eu não conhecia nenhum deles, não que me
lembre. Estávamos em muitos, acampando em uma rua vazia e com lixeiras enormes acredito
eu ou apenas perambulando por baixo de viadutos de uma grande cidade. Bebíamos
alguma bebida barata, mais que lembro ser tão saborosa. As garotas falavam
obscenidades a nós garotos, a fim de conseguir alguém para proteger do frio.
Estava frio, isso eu lembro! Pois lembro também que estávamos muito mau
vestidos para o clima, se é que podíamos chamar nossas vestes de roupas.
Trapos!
Não pensava em nada, não estava feliz e nem
triste, nem tão vivo e nem tão morto. Devem ser as drogas, nos deixam inertes,
vazios. Todos tinham esse olhar perdido, riam muito e brincavam como crianças
em um parque de diversões, desviando de carros e rolando por entre sarjetas. Ou
ficavam sérios, tristes e agressivos em questão de segundos. Comigo era o mesmo,
não ligava e não me importava. Apenas esse humor instável e inconstante, e uma
antipatia sobre humana das pessoas normais que não haviam perdido a sanidade
como nós.
-Olha! Disse à garota que estava abraçada a mim
tentando proteger-se do frio. Que casal mais lindo de apaixonados sentados ali!
E lá estava ele, aquele que eu sabia que amava
mais que a mim mesmo, contando suas piadas nada engraçadas, mais com um sorriso
lindo e perfeito em seu rosto, abraçado a um desconhecido, feliz e completo.
Vivo!”
....
“eu estava em uma espécie de maquina do tempo,
com uma tripulação de umas cinco pessoas. Não era para eu estar ali, sei porque
estava exprimido em um canto, tentando ao máximo não atrapalhar o piloto da
maquina, que eu tentava de todas as formas entender, como o garoto inexperiente
que eu conhecia estava tão confiante do que estava fazendo? E ainda me olhando com seus lindos olhos castanhos
escuro e sorrindo. Eu mau conseguia olhar oque se passava lá fora, mais sabia
que era uma estrada de chão batido com muitas pedras, ele dirigia rápido e
prudente. Senti naquele momento que eu podia ama-lo, mais não sabia mais se seria
correspondido.
Percebi então que estávamos em outro universo
paralelo ao avistar um carro muito antigo de policia andando ao nosso lado, com
as sirenes ligadas, pude ver dentro do carro e era um homem, meu pai, um
policial forte e sério. Senti um aperto no coração, como se soubesse que algo
iria acontecer.
A nossa frente em uma curva, surge um caminhão
também antigo, a toda velocidade. Lembro que gritei o máximo que meus pulmões
conseguiam, mais inevitável, foi como assistir a morte de meu pai ao vivo, ver
os dois veículos se chocarem de frente, os ferros retorcendo-se e meu pai sendo
esmagado, e junto dele senti o mesmo em meu coração.”
....
“ estou em um sonho, lembro que pensei, após
lembrar que meu pai não era o homem no carro, e tão pouco era policial ou
estava morto. Estava sonhando! Pensei, queria poder voltar a meu primeiro
sonho, com o garoto que eu amo, quero poder ficar com ele nem que seja em meus
sonhos.
Mais ao invés dele, surge o garoto dos olhos
castanhos escuro, mais ele não estava sorrindo dessa vez. Estava triste,
magoado, inconsolável.
Procurei me aproximar, ao menos tentar abraça-lo
para se sentir melhor, mais ele começar a chorar, e eu sei o porquê, a pessoa
que eu amava de verdade, e acredito que ele também, havia morrido e nem si quer
pudéramos nos despedir, e o pior, estávamos brigados há muito tempo. Muito mais
tempo para quem ama de verdade. Acabo
chorando junto.
Aquilo parecia não ter fim, um olhando para o
outro e cada vez chorando mais, eu preciso acordar, não aquento mais essa dor
no meu peito, acho que vou morrer!”
.
Acabo acordando com meu rosto molhado, eu estava
por certo em lagrimas, e sem entender o que estava mesmo acontecendo. Apenas
estava feliz que tudo não passara de um sonho ruim. Salto da cama, pego um
cigarro e saio na varanda de minha casa, a fim de sair um pouco de dentro de
casa. Paro e fico um tempo ali escorado a parede, esta frio, frio demais para
um dia de verão. O cigarro está com um gosto amargo, mais mesmo assim o vicio
fala mais alto não deixando me permitir de joga-lo fora.
Ai, então, perdido em pensamentos, frustrado com
o final de uma noite tão legal, mais tão trágica, triste e sem compreender
nada.. Acabo ouvindo um choro estranho, que mais parecia com um animal
sofrendo, mais o choro que vinha em seguida era sem duvidas humano. Desci as
escadas na escuridão da noite, pois está nublado e escuro, e percebo então que se
trata de uma mulher, minha vizinha na verdade. Ela estava desolada, chorando muito, totalmente
inconsolável.
Eu não a via se é que quer saber, ela estava na
casa dela, trancada e com a janela fechada. Chorando prantos e mais prantos,
foi inevitável, senti as lagrimas escorrendo por meu rosto. Subi as escadas de volta
e sentei a porta de minha casa no escuro, e chorei, junto com a desconhecida,
por horas e mais horas. Não sei quais foram os problemas dela, nunca se sabe,
pode ter sido uma noite magica e trágica como a minha, ou sonho ruim talvez.
Rogue – AS -






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