segunda-feira, 21 de outubro de 2013

The beginning. parte 2.




  Caminhos alegres.


Eu estava tão feliz, que impossível não demostrar isso a quem convivesse comigo. 
Era começo de dezembro, melhor época do ano para mim, pois era um mês cheio de feriados e comemorações, e o melhor de tudo, eu estava entrando de férias de meu trabalho. 
Um mês inteiro longe dos problemas, dos colegas chatos, do chefe mala. Como é bom poder dormir até o meio dia, sem compromisso algum.
Receber os amigos em casa, beber aquela cerveja gelada e dar muitas risadas. 


Era dia três de dezembro, lembro-me de acordar com um gostoso beijo de minha namorada. Ela brinca que já passa das onze de manhã e eu ainda estava na cama. Puxo-a e a seguro entre os braços, ela é baixinha e magra, e linda com seus cabelos negros e curtos. Mesmo fazendo uma força horrenda, não é pariu para mim. 
A seguro e a beijo incansavelmente, até que ela acaba cedendo. Nada como começar o dia fazendo um amor gostoso. 


Como eu trabalhava o dia todo, mal tinha tempo de ver meus amigos, a não ser em alguns finais de semana quando minha namorada me permitia. Ela era muito ciumenta, mas não posso negar que adorava passar as horas com ela. Mais para minha sorte, ela trabalhava de estagiaria todas as tardes, então, já estava virando costume nos reunirmos para beber e jogar conversa fora todas as tardes na sua ausência. 


Foi então que tivemos a brilhante ideia, de fazermos uma viagem. Ora, pois, férias não são ferias sem umas boas viagens. Lembro que em questão de minutos tudo já estava organizado, onde iriamos, quem levaríamos junto, o que precisava ser comprado, parecíamos crianças entusiasmadas por ir ao parquinho. 


Os restantes dos dias antecedentes á viagem transcorreram dignamente como deveriam ser férias perfeitas, almoços com a família, futebol com os amigos, cinema com a namorada, andar só de cueca e meias, despreocupado pela casa. Poderia eu estar mais feliz?  








Caminhos Tortuosos.



Como uma pessoa inteligente que o sou, durante o ano todo vinha guardando uma boa grana, para que enfim, agora pudesse desfrutar o melhor desses trinta dias sem me preocupar. Malas prontas, lotamos dois carros e partimos já no nascer do dia a nosso destino, que ficava a mais de mil quilômetros de distância. 
Era longe, mais o divertido dessas viagens é a aventura da viagem em si, nada como estar entre amigos. 


Riamos o tempo todo, entre uma cerveja e outra, e uns bons cigarros mentolados. Musicas retro tocando no ultimo volume no som de nosso carro. 
Minha namorada era a única que às vezes me deixava irritado, com o mapa a mão ficava tentando bancar a copiloto, e o mais chato era ela xingando meu amigo a cada ultrapassagem. E quanto mais eu pedia para ela deixar de ser neurótica, ai que ela ficava pior. 

Já era final de tarde, e encontramos um hotel de beira de estrada para passarmos a noite. Estávamos exaustos pela viagem, jantamos e fomos direto cada qual os seus quartos. Tentei trocar algumas caricias com minha namorada, mais ela veio com um papo chato de eu tratar ela mal, que quando estava com meus amigos ficava diferente e bruto. Conversa fiada. 
Enfim, acabei indo dormir frustrado, e para ajudar a cama era horrível, acordei mais cansado do que quando me deitara. 


Logo ao amanhecer prosseguimos viagem, andamos por horas e horas, e quando demos por si estávamos perdidos e quilômetros de distancia da estrada principal. Tentamos encarar aquilo normalmente, rimos muito do motorista que estava indo a nossa frente, nós apenas fomos o seguindo e onde ele foi nos levar? 
Cogitamos a hipótese de voltarmos pelo mesmo caminho, mais perderíamos horas, então optamos por seguir em frente até encontrarmos uma intersecção de volta a estrada principal. 


Confesso, eu realmente já estava ficando estressado com aquilo, nosso GPS nos mostrava estradas que não existiam, e rodávamos por horas, o asfalto já acabara há tempos e tudo que tínhamos a frente era estrada de terra e muita poeira. 
Mal aquentávamos de tanto calor, trancafiados em cinco pessoas dentro de um carro apertado, com as janelas fechadas para evitar a poeira, sendo que a mesma se infiltrava por entre o ar condicionado do carro. Aquilo foi me deixando enjoado e com dor de cabeça, não contei, mais tivemos que parar diversas ocasiões para um e outro (inclusive eu) vomitar. 


Desistimos do GPS, partimos novamente para os mapas, e para nosso espanto, aquelas estradas nem estavam catalogadas nos mesmos, tudo que havia eram enormes árias verdes. Realmente, eu se esquecera de citar esse detalhe, andávamos por horas em estradas de terra, onde toda a paisagem que víamos era uma floresta sem fim. 
Já estava anoitecendo, e o cansaço já estava incomodando a todos, fizemos uma fogueira ali no meio da estrada mesmo, era uma estrada reta onde mal podia ser ver o começo e seu fim, e de ambos os lados, árvores e mais árvores, uma mata virgem e fechada. 
Montamos nossas barracas, e tentamos esquecer-se dos problemas, ao menos ate o amanhecer, seria um novo dia e por certo as coisas melhorariam. 


Bebemos muito, dançamos, rimos, até minha namorada estava diferente, estava feliz, e pela primeira vez a via brincando com meus amigos e trocando insultas e palavrões. Não lembro bem, só sei que dormi tão bem como a muito não dormira. 







Caminhos estranhos. 


Nosso combustível estava acabando, mesmo tendo uma noite agradável, o nascer do dia foi como voltar ao pesadelo. Estávamos todos mal humorados, alguns de ressaca. Eu particularmente estava mais estressado que nunca, antes de desmontarmos acampamento já havia tido uma discussão feia com um dos meus melhores amigos, pois fora ele quem se perdera e nos meteu naquela enrascada. 


E agora estamos aqui, todos preocupados, sem sinal de celular, um GPS que mostra caminhos totalmente diferentes de onde estamos e um mapa onde mostra alguns bares e postos de gasolinas, mais nada existe. Apenas a estrada sem fim a nossa frente e as arvores cada vez mais velhas e negras. 

Agora infelizmente a situação estava crítica, a gasolina já não duraria muito, e precisávamos agir ou ficaríamos todos presos ali.  
Juntamos todo o combustível e botamos no carro do meu amigo, pois o dele era mais econômico que o nosso, por sorte sempre carregávamos alguns litros reserva na porta malas, minha namorada nos chamou de loucos quando os viu, mais agora eu sei que no seu pensamento está nos agradecendo por sermos tão babacas.   


Partiram em dois em busca de socorro, e nós, oito pobres infelizes ficamos ali, em meio ao nada, tudo que podíamos fazer era aguardar e torcer para que ao menos o sinal de celular deles pudesse voltar para pedir auxilio. 
Ficamos ali, todos um tempo em silêncio, apenas vendo o carro desaparecer na infinita estrada. A poeira sumia ao longe quando senti minha namorada abraçando-me por trás.


-Eles vão voltar.

Tentei não ser negativo e demostrei lhe um sorriso de afirmação. Agora, tudo que podíamos fazer era montar nossas barracas, acender uma fogueira e rezar para que as coisas não piorassem. Também pudera piorar? Tentava não pensar nisso.



Continua...




Rogue - AS - 






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