sexta-feira, 25 de outubro de 2013

caros leitores!



 Por motivos de falta de tempo, mesmo estando com várias idéias de novas historias e a continuação de " The beginning" começada, não consegui dar prosseguimento.

Mas.. fiquem no aguardo, logo logo eu volto.

Obrigado a todos e que a Deusa lhes dê suas benças.  


Rogue - AS -

O profeta das formigas humanas.







Nossa história se passa nos meados de 1981, Serra Pelada, Brasil. 
Meu nome: Jorge da Silva Jr. Mais um entre tantos Jorges, Pedros, Robertos. Gostaria de poder contar minha história, mais tão entediante é minha vida que nem eu mesmo acho graça de contar de meu passado a meus próprios filhos, quem dirá a vocês desconhecidos.

Aqui, nesse lugar esquecido por Deus, fácil perder a fé. Às vezes paro o observo aquele mar de gente aglomeradas em tão pouco espaço, sujas de barro e poeira, toda e qualquer semelhança com as formigas é enorme. “É a ganancia dos homens”. Já dizia meu falecido pai, que também perdera a vida ano passado, como tantos outros, em acidentes tão comuns nas minerações.

Na época falava-se em mais de trinta mil homens, mas estando aqui, pareciam ser muitos mais. Homens de várias partes do país, de todas as etnias e raças, crianças, jovens e velhos. E foi aqui, no meio de tantos homens ambiciosos, mais esperançosos, que conheci o verdadeiro dono que a esta história pertence. Seu nome ainda desconheço, só lembro que todos o chamavam de filósofo. Acredito que todo mundo conhece em sua vida um “filósofo”, a pessoa que entende sobre tudo na vida e sempre sabe prender a atenção de todos quando está a contar suas histórias, verídicas ou não, mesmo assim fascinantes.  

Filósofo era um jovem alto, bem diferente do padrão dos habitantes do norte do estado, parecia-se muito a os gringos que conhecíamos dos filmes americanos, loiro e dos olhos azuis quase brancos de tão claros. Sempre chamava atenção de todos a noite, quando estava de banho tomado e com roupas limpas. E como as mulheres o adoravam! Afinal, um jovem formoso e inteligente, perdido naquele fim de mundo, á de ser admirado mesmo.

Confesso, que mesmo casado, nunca fui de desperdiçar uma boa rapariga. Nosso estaleiro ficava por sorte perto de um rústico bar, onde eram comuns as bebedeiras e jogatinas. Assim também como as brigas e as não tão formosas jovens a enroscar-se a um e outro atrás de um dinheiro fácil, ou apenas algum pagante de bebidas grátis. Por esse meu fraco por mulheres, foi que percebi que fazendo amizade com o jovem protagonista dessa historia, eu havia certamente de me dar bem com o mulherio.
Com o passar dos meses, filósofo acabou agregando muitos mais “amigos” que uma pessoa normal faria. Começou ser tão comum mais de vinte ou trinta pessoas sentar-se a noite ao redor de uma grande fogueira, bebendo goles da amarga cachaça e fumando fedorentos cigarros feitos a mão mesmo com fumo ainda molhado comprado na mercearia de seu Juca.

E como ele falava bonito! Pensava comigo enquanto escutava atentamente a suas historias, sobre como conheceu um lobisomem autentico em um vilarejo de nativos indígenas no coração da Amazônia, e como para os mesmos aquilo era tão natural. De tempos em que trabalhara em um circo como tratador dos animais e conhecera nosso país de canto a canto. Dos tempos que conhecera tropeiros ao sul e como era fascinante cavalgar por léguas levando o gado, vez e outra ele contava histórias que ouvira sobre lendas e aventuras que para nós que morávamos tão longe ao norte do estado, jamais sonhara em deslumbrar. As vezes falava sobre livros que lera no tempo que era seminarista em um colégio interno, sobre religião de outros países, teorias de conspiração de presidentes e sociedades secretas, vida em outros planetas, filósofos e teólogos, psicólogos e grandes escritores nacionais e de fora do País.

Durante a longa jornada do dia, desde o amanhecer até o por do sol, ele era quieto, focado. Parecia até mais um de nós ali, com a picareta em mãos, cavando aqui e ali, também em busca de um milagre para mudar sua vida. Ele mesmo contava às vezes o que faria quando encontrasse uma grande pedra de ouro nas minerações. Nem tanto os planos do mesmo nos fascinavam, como o sorriso em seu rosto, e aquele brilho em seu olhar.

Até mesmo o mais desesperado dos homens, muda seu estado de espírito apos uma noite fascinante das historias do rapaz. E assim passou-se o tempo, acredito ter sido anos. O numero agora de seguidores do mesmo era espantoso. Nenhum de nós ou até mesmo o jovem (procuro acreditar que não soubesse) sabia da repercussão que isso teria. Até mesmo uma equipe de televisão veio tempos atrás e fez uma longa reportagem sobre o mesmo. Eles a chamaram de “a nova religião dos garimpeiros”, onde se referiam a filósofo o novo pregador ou pastor.

Ora, pois, o jovem nada mais fazia que contar histórias, mais com o passar do tempo, as pessoas começaram a lhe procurar para pedir conselhos sobre a vida, dificuldades, pedindo aconselhamentos e até mesmo para confessar seus pecados. No começo ele não levava aquilo muito a sério, que mal haveria em dar esperança a aqueles pobres homens?

Ele já não tinha mais tempo para as garimpagens, agora, ficava apenas no grande pavilhão construído com o dinheiro de muitos de seus fanáticos seguidores. Ele estava diferente, eu sei por que o conhecera há tanto tempo, e havia uma grande diferença do jovem e alegre contador de histórias e o homem que agora estava sempre bem vestido e limpo, o qual agora tinha um ar mais misterioso e serio. Suas histórias agora eram mais sérias e assustadoras, parece até que todas aquelas historias de terror que nos contara outrora eram sinais de algo maior que estava para acontecer futuramente. 

Não demorou a começar a falar sobre o fim dos tempos, ele agora julgava as pessoas pela ganancia, e que mesmo com todo dinheiro do mundo, isso não compraria um lugar no céu.
Era o ano de 1984, e uma grande leva de mineradores estavam desanimados, já não se encontrava vestígio algum de ouro ou outras preciosidades nas escavações. Parecia que realmente, como havia sido pregada pelo jovem, a ganancia estava acabando com a vida de muitos. Casos e mais casos de mortes por dividas, muitos cainham em uma depressão, e adoentados, partiam enfermos ou perdiam suas vidas por ali mesmo. Oque antes era motivo de felicidade, agora era impossível de se compartilhar a informação de que encontrara algo. Estava tornando-se comum o roubo com morte aqueles que encontravam algo.

Eram tempos difíceis, o que mantinha as pessoas na linha era a fé que depositavam na nova religião criada pelo mestre filósofo. Foi então que uma noite, após um discurso hora incentivador, hora assustador, ele me pedira para aguardar que tinha de conversar comigo.

Esperei por um longo tempo até que ele despedia-se de seus fieis, mais ele estava mais sério que de costume. Por fim, me chamara para uma sala ao lado do grande salão, e sem mais delongas, foi me questionando.

-Tempos difíceis se aproximam meu velho amigo, você já ha de ter percebido, mais estamos prestes a enfrentar o caos aqui. O governo está insistindo em apoderar-se das terras, e seremos obrigados por fim a abandonarmos tudo isso.

Ele estava com ar de preocupado, mais sabia que não era pelo minério, até porque há tempos ele havia parado de escavar. Desviou o olhar para uma pequena janela que dava para o grande vale, estava uma lua cheia linda, a qual fazia da escuridão quase um dia lá fora.

-Vê tudo isso? Se deixar esses fanáticos chegarão a china de tanto cavar. Ele ri.
Por um momento consegui ver no seu sorriso o jovem alegre que costumava beber goles da amarga cachaça a beira da fogueira, despreocupado com o futuro.

Ele abre uma gaveta trancafiada a chave, e do mesmo tira uma pequena caixa de madeira. Olha fixamente em meus olhos cansados do longo dia de escavação, já pedindo por uma boa noite de sono.
-Tome. Quero que assim que nascer o sol, parta daqui e vá buscar sua família. Você não terá grandes chances se for morar em uma cidade grande, então quero que compre uma chácara seja lá onde desejar, e que tenha uma vida boa e direita.

Largou em minha calejada mão algumas pequenas pedras de ouro e alguns diamantes ainda sujos e virgens. Fiquei pasmo. Por certo ele tinha muito mais de onde aquilo veio. Estava confuso e alegre ao mesmo tempo, ninguém jamais em sua vida havia me dado nada, e como já conhecia o ditado, nada era de graça nesse mundo de Deus.

-Por que isso mestre?
Ele riu novamente, eu nunca o chamara de mestre apesar de todos o fizessem. Fiquei por certo envergonhado, parecia-me um puxa saco.

-As coisas estão ficando difíceis aqui, não demora a minha partida também. Eu já o teria feito meu velho amigo mais ainda não sei como o fazer. Meus fieis há tempos doam-me muito dinheiro, e não vou negar que cai na tentação de partir daqui a tempos. Mais cada dia que passava a ganancia e o peso na consciência não me o deixara fazer isso.

Eu ainda tenho algum tempo, para pensar em que fazer, se distribuo esse dinheiro entre meus fiéis, ou seja lá o que tiver que fazer.
Eu estava perplexo, mesmo sendo um cara desinformado e pouco estudado, sabia das coisas da vida, e aquilo não parecia correto. Mais quem sou eu para julga-lo? Antes que pudesse falar algo, ele me levanta de onde eu estava sentado e me dá um forte abraço.

-Vá em paz meu amigo, que Deus lhe ajude e proteja.
Não consegui falar palavra alguma, tão pouco consegui pregar meu olho para dormir. Não havia sono nem cansaço mais, eu estava triste por partir, preocupado por alguém desconfiar do que eu possuía e ser morto, e com uma alegria como há anos quando ficara sabendo da corrida pelo ouro e pusera meus pés ali pela primeira vez.

Mal o dia amanheceu, e eu parti, dei a desculpa que não estava me sentindo bem e que teria de ir ao hospital, até porque estava mesmo com olheiras horrendas e aspecto de doente. Parti então, e fiz como meu velho amigo mandara, peguei minha família, comprei uma fazenda com gado e plantações de grãos no mato grosso, e cá estou.

Todas as noites me pergunto como teria sido se ele não tivera me ajudado, o que seria de mim ou de meus familiares, qual destino estivera reservado para mim. Estamos no final de 1989, vi no tele jornal que todos estão abandonando serra pelada, já não encontram nada por lá. Nunca havia contando a real historia de como ficara rico ou do grande filósofo que fascinava com suas histórias.

Deve estar se perguntando, o que de fato aconteceu a o mestre filósofo. Pois bem, não sei ao certo, pois surgiram várias versões para o ocorrido, mais a que acredito ser a verdadeira deu-se da seguinte maneira.
Em certa noite, descrentes de seu futuro inserto, alguns planejaram a morte do jovem. Invadiram o pavilhão à noite, e não eram poucos, vários deles. Saquearam e destruíram, adentraram o quarto do jovem mestre e o assassinaram ali mesmo em sua cama, dezenas de facadas desferidas no pobre. Dizem que o mesmo si quer reagiu, teve uma morte lenta e triste, e nada digna.

Lembro que saiu algo na época nos jornais, nada especial obviamente. Mais posso imaginar o sofrimento de todos seus fieis a verem em chamas o grande pavilhão, e dentro dele o corpo daquele que muito lhes ajudara. Até sonhei por varias noites com o ocorrido, eu estava lá, parado em frente, imóvel observando tudo. Era uma bagunça sem tamanho, pessoas correndo com baldes de água, muito desespero e lagrimas. As chamas rasgavam a escuridão da noite, clareando a mansidão do vale, uma tristeza sem tamanho.
Gosto dessa versão da historia, prefiro assim. Ele morreu como mártir. Aborrece-me pensar que talvez ele mesmo tivesse posto fogo, e fugido na calada da noite com a fortuna que havia arrecadado. Um corpo jamais fora encontrado entre os destroços, até por que as autoridades nem se preocuparam em fazer alguma busca detalhada, tão pouco o importava. Mais correu a lenda que sem um corpo, reforçava mais ainda a fé que o mestre havia sido arrebatado por anjos celestiais. Crendices do povo.

Seja qual foi o final, essa é a história do jovem sonhador, que hora ambicioso, hora humilde. O contador de histórias que ficou famoso, que criou raízes e seguidores. Aquele que muitos dariam suas vidas sem pensar se ele o pedisse. É incrível o poder que palavras tem na vida das pessoas. Muitos nascem e morrem sem um propósito, e outros, sem perceber, salvam vidas. Afirmo isso, ele me salvou dando a oportunidade de trilhar uma vida diferente, e penso em tantos outros que ele tenha ajudado. Não foi um santo e tão pouco queria ser tratado assim, mais fez a diferença para milhares de pessoas, e a intenção é que vale. Deixo aqui essas palavras para você, meu amigo, meu mestre. E espero que não leia essas palavras um dia, e se ler, saiba que agradeço por tudo, parti aquela noite sem proferir palavra alguma e isso me dá certo remorso.

E se está realmente morto, que assim procuro acreditar, que esteja em paz, e saiba que seus fieis ainda rezam por ti e um dia vamos nos encontrar novamente em algum outro plano, para que conte suas fascinantes e incontáveis histórias de sua própria boca.

Obrigado por tudo, de seu primeiro discípulo, Jorge.



Outubro, 21 de 1899. 



Rogue - AS -


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

The beginning. parte 2.




  Caminhos alegres.


Eu estava tão feliz, que impossível não demostrar isso a quem convivesse comigo. 
Era começo de dezembro, melhor época do ano para mim, pois era um mês cheio de feriados e comemorações, e o melhor de tudo, eu estava entrando de férias de meu trabalho. 
Um mês inteiro longe dos problemas, dos colegas chatos, do chefe mala. Como é bom poder dormir até o meio dia, sem compromisso algum.
Receber os amigos em casa, beber aquela cerveja gelada e dar muitas risadas. 


Era dia três de dezembro, lembro-me de acordar com um gostoso beijo de minha namorada. Ela brinca que já passa das onze de manhã e eu ainda estava na cama. Puxo-a e a seguro entre os braços, ela é baixinha e magra, e linda com seus cabelos negros e curtos. Mesmo fazendo uma força horrenda, não é pariu para mim. 
A seguro e a beijo incansavelmente, até que ela acaba cedendo. Nada como começar o dia fazendo um amor gostoso. 


Como eu trabalhava o dia todo, mal tinha tempo de ver meus amigos, a não ser em alguns finais de semana quando minha namorada me permitia. Ela era muito ciumenta, mas não posso negar que adorava passar as horas com ela. Mais para minha sorte, ela trabalhava de estagiaria todas as tardes, então, já estava virando costume nos reunirmos para beber e jogar conversa fora todas as tardes na sua ausência. 


Foi então que tivemos a brilhante ideia, de fazermos uma viagem. Ora, pois, férias não são ferias sem umas boas viagens. Lembro que em questão de minutos tudo já estava organizado, onde iriamos, quem levaríamos junto, o que precisava ser comprado, parecíamos crianças entusiasmadas por ir ao parquinho. 


Os restantes dos dias antecedentes á viagem transcorreram dignamente como deveriam ser férias perfeitas, almoços com a família, futebol com os amigos, cinema com a namorada, andar só de cueca e meias, despreocupado pela casa. Poderia eu estar mais feliz?  








Caminhos Tortuosos.



Como uma pessoa inteligente que o sou, durante o ano todo vinha guardando uma boa grana, para que enfim, agora pudesse desfrutar o melhor desses trinta dias sem me preocupar. Malas prontas, lotamos dois carros e partimos já no nascer do dia a nosso destino, que ficava a mais de mil quilômetros de distância. 
Era longe, mais o divertido dessas viagens é a aventura da viagem em si, nada como estar entre amigos. 


Riamos o tempo todo, entre uma cerveja e outra, e uns bons cigarros mentolados. Musicas retro tocando no ultimo volume no som de nosso carro. 
Minha namorada era a única que às vezes me deixava irritado, com o mapa a mão ficava tentando bancar a copiloto, e o mais chato era ela xingando meu amigo a cada ultrapassagem. E quanto mais eu pedia para ela deixar de ser neurótica, ai que ela ficava pior. 

Já era final de tarde, e encontramos um hotel de beira de estrada para passarmos a noite. Estávamos exaustos pela viagem, jantamos e fomos direto cada qual os seus quartos. Tentei trocar algumas caricias com minha namorada, mais ela veio com um papo chato de eu tratar ela mal, que quando estava com meus amigos ficava diferente e bruto. Conversa fiada. 
Enfim, acabei indo dormir frustrado, e para ajudar a cama era horrível, acordei mais cansado do que quando me deitara. 


Logo ao amanhecer prosseguimos viagem, andamos por horas e horas, e quando demos por si estávamos perdidos e quilômetros de distancia da estrada principal. Tentamos encarar aquilo normalmente, rimos muito do motorista que estava indo a nossa frente, nós apenas fomos o seguindo e onde ele foi nos levar? 
Cogitamos a hipótese de voltarmos pelo mesmo caminho, mais perderíamos horas, então optamos por seguir em frente até encontrarmos uma intersecção de volta a estrada principal. 


Confesso, eu realmente já estava ficando estressado com aquilo, nosso GPS nos mostrava estradas que não existiam, e rodávamos por horas, o asfalto já acabara há tempos e tudo que tínhamos a frente era estrada de terra e muita poeira. 
Mal aquentávamos de tanto calor, trancafiados em cinco pessoas dentro de um carro apertado, com as janelas fechadas para evitar a poeira, sendo que a mesma se infiltrava por entre o ar condicionado do carro. Aquilo foi me deixando enjoado e com dor de cabeça, não contei, mais tivemos que parar diversas ocasiões para um e outro (inclusive eu) vomitar. 


Desistimos do GPS, partimos novamente para os mapas, e para nosso espanto, aquelas estradas nem estavam catalogadas nos mesmos, tudo que havia eram enormes árias verdes. Realmente, eu se esquecera de citar esse detalhe, andávamos por horas em estradas de terra, onde toda a paisagem que víamos era uma floresta sem fim. 
Já estava anoitecendo, e o cansaço já estava incomodando a todos, fizemos uma fogueira ali no meio da estrada mesmo, era uma estrada reta onde mal podia ser ver o começo e seu fim, e de ambos os lados, árvores e mais árvores, uma mata virgem e fechada. 
Montamos nossas barracas, e tentamos esquecer-se dos problemas, ao menos ate o amanhecer, seria um novo dia e por certo as coisas melhorariam. 


Bebemos muito, dançamos, rimos, até minha namorada estava diferente, estava feliz, e pela primeira vez a via brincando com meus amigos e trocando insultas e palavrões. Não lembro bem, só sei que dormi tão bem como a muito não dormira. 







Caminhos estranhos. 


Nosso combustível estava acabando, mesmo tendo uma noite agradável, o nascer do dia foi como voltar ao pesadelo. Estávamos todos mal humorados, alguns de ressaca. Eu particularmente estava mais estressado que nunca, antes de desmontarmos acampamento já havia tido uma discussão feia com um dos meus melhores amigos, pois fora ele quem se perdera e nos meteu naquela enrascada. 


E agora estamos aqui, todos preocupados, sem sinal de celular, um GPS que mostra caminhos totalmente diferentes de onde estamos e um mapa onde mostra alguns bares e postos de gasolinas, mais nada existe. Apenas a estrada sem fim a nossa frente e as arvores cada vez mais velhas e negras. 

Agora infelizmente a situação estava crítica, a gasolina já não duraria muito, e precisávamos agir ou ficaríamos todos presos ali.  
Juntamos todo o combustível e botamos no carro do meu amigo, pois o dele era mais econômico que o nosso, por sorte sempre carregávamos alguns litros reserva na porta malas, minha namorada nos chamou de loucos quando os viu, mais agora eu sei que no seu pensamento está nos agradecendo por sermos tão babacas.   


Partiram em dois em busca de socorro, e nós, oito pobres infelizes ficamos ali, em meio ao nada, tudo que podíamos fazer era aguardar e torcer para que ao menos o sinal de celular deles pudesse voltar para pedir auxilio. 
Ficamos ali, todos um tempo em silêncio, apenas vendo o carro desaparecer na infinita estrada. A poeira sumia ao longe quando senti minha namorada abraçando-me por trás.


-Eles vão voltar.

Tentei não ser negativo e demostrei lhe um sorriso de afirmação. Agora, tudo que podíamos fazer era montar nossas barracas, acender uma fogueira e rezar para que as coisas não piorassem. Também pudera piorar? Tentava não pensar nisso.



Continua...




Rogue - AS - 






sábado, 19 de outubro de 2013

The beginning. "O Começo"





  “você pode não acreditar no mal, mas o mal acredita em você”…



  
 O Começo.


Nunca fui daqueles que acredita lá nessas coisas de anjos e demônios, céu e inferno, Bem e Mal.
Para mim são meras ficções criadas apenas para nos por medo, e coragem. 
O ser humano é engraçado. Mesmo tendo provas concretas e irrevogáveis que o criacionismo e a mitológica bíblia são meras histórias criada pelos romanos para manipular as pessoas, mesmo assim, elas a creem.


Antes que pensem o pior de mim, quero deixar claro que não sou nenhum ateu. Agnóstico seria a palavra aplicável. São paradigmas  complexos de ser explicados, é como quando somos crianças e somos ensinados a não mastigar de boca cheia ou por os cotovelos sobre a mesa. De berço fui educado nos parâmetros cristão, então mesmo não acreditando em muita coisa, alguns fragmentos sempre á de ficar infundidos em nosso sub consciente e nos influenciando no dia a dia. 


Acredito em Deus? 
Pois sim! Acredito que existe algo maior, algo que nos ampara nos momentos difíceis e sem solução. Mais como acreditar em um Deus e não acreditar no Diabo? É estranho eu sei. Muitos dizem que o mau está no livre arbítrio do próprio ser humano, e nada além disso. Até por que, se não acredito na Bíblia, é logico não crer também em lúcifer, o anjo caído.


Filosofias e ideologias, complicadas de se ter uma opinião concreta. E o que é verdade para mim, não é a mesma para você. Mais vamos dar continuidade antes que eu perca meu foco. A questão aqui é, para mim toda essa conversa fiada de inferno, demônios, magia negra e afins, são apenas bobagem. 


Mais como todo ser humano, por mais perfeita que nossa vida esteja, sempre surge vez ou outra, problemas sem soluções, nosso fundo do poço de onde acreditamos não poder sair nunca mais. Até mesmo o mais descrente de fé nessas horas busca algo maior de apoio. 
Como diz aquele sábio ditado, "a fé move montanhas". Claro que nunca vi montanha alguma sendo mudada de lugar, mais já sei de casos de pessoas que vivem por mais tempo com graves doenças por terem fé em algo maior.
E essa é minha justificativa para Deus, fé, e bondade. 
Quanto ao mal, nada mais que ações do próprio ser humano.


Mais foi em uma desses "fundo de poço" que acabei confrontando fatos e acontecimentos que até então, eu acreditava não existirem. Vou lhes contar como tudo aconteceu, e espero que, com isso, mude um pouco sua visão. Acredite, existem coisas que acontecem a outras pessoas para que, através do sofrimento alheio, nos tornamos mais humildes e humanos.
Leiam atentamente minhas palavras, e que minhas verdades não os façam temer, mais sim, que estejam abertos e preparados para quando for a vez de cada um de vós enfrentarem o inimaginável.


continua...





Rogue - AS - 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Dia dos mortos.





É sem duvidas o dia dos mortos.
Impossível não transparecer alegria, tantos velhos conhecidos para rever. 
Corro o mais rápido que posso até o cemitério do vilarejo, já é meia noite, por certo estão todos lá.


A lua cheia ilumina todo o percurso, quase parece dia de tão claro.
Estou tão habituado a fazer esse percurso que já sei todos os obstáculos de cor.  
Salto ofegante por entre galhos secos, esquivando-me aqui e ali de arvores milenares. Havia uma estrada que dava acesso até o mesmo, mais aumentaria meu percurso em léguas, e o atalho pela floresta sempre me parecia mais desafiador. 


Por que fazer um cemitério tão retirado assim do vilarejo? Penso enquanto minhas pernas movem-se como o vento.
Mamãe dizia que era para deixar que os mortos realmente descansassem em paz. Longe de tudo e de todos. Fazia sentido.
Tão pouco me importava, para mim era até melhor, adorava me retirar para lugares abandonados. Explora-los então era uma aventura sem comparação.


Eis que ao longe já avisto o enorme portão de ferro, já à muito construído ali, seus sinais de milênios ao abandono dão um ar de mistério e terror.
A chave! Pensei comigo pela decima vez. Conferindo novamente se a mesma ainda estava pendurada em meu pescoço. 

Era meu dever aquela noite, e de todas nos próximos anos que viessem a seguir. 
Abrir os portões do grande cemitério, para que eles, pudessem andar livremente ao menos nesse dia concedido a eles.
E como eu estava feliz por poder fazer parte disso!
Nunca o imaginara. 


Ando agora mais vagarosamente, precisava e muito pegar um pouco de folego, a distancia era sem duvidas cansativa, mais sou jovem e saudável, gozando de meus poucos quinze anos.
Quase que instintivamente pego a chave novamente em meus dedos, recordando-me de meu propósito de estar ali.
O coveiro. Sim, por certo, ele também haveria de estar lá, e o veria em breve.

Fora ele que em certa tarde, isso a meses atrás lhe incumbira de tal tarefa,  explicando de sua doença e de seus poucos dias restantes de vida. Foi ele, que me encorajou e me mostrou a importância que nós, guardiões dos portões dos mortos temos.

Poderia acontecer o pior se os mantivesse presos, males impensáveis. Alertou-me o coveiro. 
Confesso que nos primeiros tempos essa ideia causava-me arrepios, mais com o tempo, algo foi me encorajando e me deixando mais confiante. 
E aqui estou, parado em frente ao grande portão de ferro, com a chave aposta, com um pouco de receio por ser minha primeira vez.


Respiro fundo, olho para a grande lua cheia a iluminar toda a floresta, por algum motivo, dentro do cemitério está uma escuridão sem fim.
Abro cautelosamente o grande portão, fazendo uma força tremenda, o mesmo está amaranhado de trepadeiras e encravado de ferrugem. Pronto, meu dever estava cumprido.


Tenho duas opções, correr de volta para casa, ou aguardar e matar minha curiosidade.
Impossível não demostrar uma cara de temor e espanto, lá estavam eles, vinham e passavam por mim, ali congelado de medo e admiração. Alguns param, me olham, com seus olhos vazios e sem vida. 
Nada me fazem, nada demostram, bizarros e assustadores. 

São milhares, nem eu imaginava que haviam tantos!
Um cheiro de podrido e morte exala no ar. 


É a noite deles, penso.
Caminho lentamente em direção a trilha para voltar para casa, já não há nada a ser feito ali.
Eles não me farão nada, posso ir despreocupado.

Ergo minha cabeça e vejo, parado a minha frente, som expressão alguma, o coveiro, parado em meio a trilha, inerte sob a luz do luar.
Percebo então, aquilo não era nada de especial. Os olhos dele me diziam tudo. Eram condenados, assim como todos os outros que viriam por morrer futuramente, como você e eu.


Um dia triste e de morte, era o que tudo aquilo representava.
Pobres condenados a sair de seu descanso e vagar por entre as coisas vivas. 
Talvez um dia, quando for a nossa vez, entenderemos o propósito disso, e até lá, a expressão vazia do coveiro e de todos os outros mortos seguirão em meus pensamentos.  

O vazio! 



Rogue - AS - 







domingo, 13 de outubro de 2013

Terceiro guia para o caminho Dasterys.




Cá estou novamente, sentado no chão frio perdido em meus pensamentos.
Voo longe, afastando o todo de mim. 
Uma busca por seres amistosos e mágicos, meus amigos a tantos tempos.

O cigarro queima lentamente por entre meus dedos. Seu odor mistura-se com o cheiro do orvalho da manhã, fazendo-me ir mais além de simples lembranças desordenadas. 
Nada existe a meu redor, apenas a paz e tranquilidade. Nostalgia fantástica! 

Sei que surgirá logo, e tudo que desejo é sentir a maravilha de seu calor em meu rosto.
Mais, aqui onde o surreal se faz presente, o tempo parece não existir.
Olhos fixos no horizonte,  nem mesmo os pássaros, alegres e cantores me distraem. 

Seus primeiros raios vermelhos começam a surgir, dando um desenho surreal por entre nuvens e o azul escuro dos céus. 
Pudera existir beleza maior? 
É como observar o bem e o mal unidos, trevas e luz em plena harmônia, um casamento inigualável. 

O frio parece saber que seu fim está próximo, sinto a drástica queda de temperatura. 
Mais uma tragada de cigarro, esquentando assim meus pulmões e anestesiando meu corpo.
A fumaça mistura-se com o ar quente exalado de minha boca, criando nuvens brancas a minha frente.

Mais alguns minutos, é tempo mais que suficiente para ir a terras longínquas, onde a tristeza não existe. 
Se há um paraíso, com certeza a de ser este. 
Impossível descreve-lo, impossível também não contagiar-se da mais pura e inocente energia positiva!

Queria eu poder viver mil anos!
Queria eu poder morrer nesse momento!
Estou em paz, estou feliz.

Seu brilho quase cegante faz com que eu volte de meu mundo imaginário, e tão pouco isso me incomoda.
Perfeito! Esplendido!
A grande bola flamejante de fogo surge no horizonte, trazendo consigo esperança, calor, vida!

Tão belo, tão poderoso, tão indispensável. 
Seria uma pena se ninguém visse as coisas como eu vejo. 
Mais há outro como eu, poucos infelizmente, mais existem. 
Pode ser você! Se souber se permitir.

Agora posso começar minha jornada, estou regenerado e preparado para todas as aventuras incríveis que sei que vivenciarei por horas intermináveis, e se for merecedor, amanha estarei aqui, no mesmo chão frio, observando as pequenas belezas da vida.


Rogue - AS - 



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Segundo guia para o caminho Dasterys.






Sociedade hipócrita! 

Com seus "tapas" impedindo de ver o novo, o diferente, o obvio, o lógico!
Tanta beleza a ser desfrutada, tantas novidades a serem experimentadas. 
Mais o novo assusta, transtorna, repulsa. 


Queria eu poder sonhar com uma humanidade mais intelectual, com uma mente aberta!
Tantas coisas a se aprender e compartilhar, uma conexão perfeita e pura.. inocente.
Mais tolice a minha me dar ao luxo de ter tal anseio. 


Talvez eu possa salvar alguns, tira-los das sombras de suas cavernas e guia-los ao caminho da luz.
Há tanta coisa a ser mostrado do lado de fora, cores, sabores, prazeres.
Mais nos meus mundos de sonhos isso parece ser tão fácil, mais na pratica se mostra inviável.


Sociedade burra, ingênua e tola!
Onde o comodismo lhes fala mais alto, e a verdade lhes passa despercebido com um pequeno sussurro.
Queria eu poder ecoar meu grito aos sete ventos palavras mágicas que os fizessem acordar.


Um desastre mundial ? 
Talvez seja esse o grito que estão todos ansiosos a esperar!
Aquele som estrondoso zunindo ao seu ouvido, ensurdecedor e aterrorizante. 


Qual melhor forma usada desde os primórdios para tirar um animal acoado de dentro da segurança de suas tocas?
O MEDO é a resposta a todas as perguntas!
Já que com todos os meios possíveis e saudáveis, a descrença no próximo se faz presente, precisaremos partir de um ponto fundamental.. o crença em si mesmos!


Que se estabeleça o caos, a guerra, o sofrimento!
Um banho de sangue maciço seria sem dúvidas melhor a uma sociedade que morre aos poucos sem dar-se conta do fatos lógicos.


Que então, aqueles que realmente dão valor a suas vidas, sejam obrigados a pegar em suas "lanças mal feitas de paus e pedras pontudas" e saiam da redoma de rocha para o novo mundo que surge frente a seus olhos. 
Uma vida nova lhes aguarda, a chance será dada a todos, mais nem todos saberão manter a sanidade infelizmente. 


Alguns poucos; e  nesses "poucos", tenho fé que após sobrevirem a toda catástrofe e caos, serão os verdadeiros e novos humanos que povoarão o mundo. 
Não aqueles ingênuos animais racionais, por fim extintos. Humanos agora por excelência dominariam a Terra, e tudo seria por fim perfeito e em sintonia. 


Princípios despidos, almas puras e livres por fim.. uma sociedade feita por um humano apenas. 
E esse único formaria o TODO.




Rogue - AS -









  












sábado, 5 de outubro de 2013

Primeiro guia para o caminho Dasterys.



Eu prefiro o Mal.

Prefiro ver as pessoas sofrendo a meu redor.

Prefiro as noites em tempestade.

Prefiro o gosto adocicado do sangue.

Prefiro a mentira.

Prefiro a discórdia.

Prefiro o choro.

Prefiro a melancolia e a solidão.

Prefiro a peste.

Prefiro o medo.

Prefiro a morte!


Rogue - A.S