quinta-feira, 7 de abril de 2016

Silêncio.



 

Um salto vermelho fazendo aquele barulho agudo no cru e nu do assoalho de madeira. Um andar firme e charmoso, quase uma sinfonia fúnebre marchado.

Um cheiro de cereja e mentol, num misto ao tabaco o qual eu podia ouvi-lo entrando no ar de seus pulmões, a após uma pequena pausa de alguns segundos soprada como essência no ar gélido da noite.. fazendo uma mistura perfeita entre o branco do vapor quente de sua alma com o cinza acerejado e espesso. 

Um barulho de sinos anda em direção aos passos, fazendo o silencio criar uma pequena pausa nesse instante.. o silêncio,um rosnar e então um miado fino e agudo; meu gato a entrelaçar-se por entre aqueles saltos vermelhos procurando um afeto, um amor, sua alma gêmea. 

Nada foi dito, talvez um sorriso tenha acontecido, mais apenas o felino saberá da conexão existente daquele momento, pequeno momento, antes dos passos seguirem firmes e compassados em direção a porta.

você precisa ir? Perguntei assim que sua delicada mão foi em direção a maçaneta da porta.

O silencio fez se minha resposta.
Não pode ficar mais um pouco?  Insisti!
Apenas um olhar de canto de olho como resposta, e nada precisava ser dito. Aquele olhar já me mostrava tudo oque alguém precisa-se saber.
O barulho da pesada e antiga porta quebra o silêncio, parecendo se com o rangir desesperado de meu coração gritando desesperadamente para que ela ficasse. 
Uma brisa gelada adentra a porta fazendo com que a fragrância de seu perfume de ervas e frutas vermelhas tocasse todo meu corpo, arrepiando me como se fosse seu toque, como se aquele ar frio embriaga-se me e toma-se me por inteiro, ludibriando me a loucuras mais insanas e depravadas que eu poderia ter provado dessa mulher. 

A porta se fecha lentamente, e posso ouvir o barulho do salto vermelho ficando cada vez longe e distante, até sumir por completo. O adeus foi dito da forma mais dolorosa de todas. Aquele silêncio que me perseguira até que o arrependimento me consuma; e talvez um dia, eu também consiga sem que palavra alguma seja dita, (e que apenas meu coração por fim entenda ) que ela precisava partir.




Rogue - A.S-

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